Menu
Promoções

A geração que aproximou a arte do povo

Arquivo Geral

22/11/2004 0h00

Quando 153 artistas plásticos resolveram fazer uma grande exposição coletiva na Escola de Artes Visuais do Parque Laje, em julho de 1984, no Rio de Janeiro, a arte brasileira viveu um instante único e histórico. Com o sugestivo título Como vai Você, Geração 80? , o evento deixou um lastro marcante, hoje revisto, 20 anos depois, em Onde está Você, Geração 80?, abrangente mostra que será aberta ao público, a partir de amanhã, até 9 de janeiro de 2005, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB).

Onde está Você, Geração 80? traz 48 artistas, a maioria deles remascentes da coletiva no Parque Laje e outros contemporâneos que influenciaram ou que foram influenciados por aquela impactante mostra no Rio de Janeiro.

O brasiliense pode rever ou conhecer artistas fundamentais daquela geração, como Leonilson, já falecido, Daniel Senise, Alex Vallauri, Nuno Ramos e Luiz Zerbini, nomes capitais na renovação das artes plásticas no País.

A importância e grandiosidade do resgate em exposição no CCBB, que tem a curadoria de Marcus Lontra – diretor da Escola do Parque Laje, na época, e idealizador da mostra de 1984 – pode ser medido pela quantidade de módulos do evento. São 13 segmentos que dão uma boa e competente idéia do que foi aquele brilhante espasmo da geração 80.

Os segmentos revelam os artistas que prepararam o caminho para o surto criativo inicial da coletiva dos anos 80, no módulo A Preparação, e, nos outros 12, os conceitos que marcaram aquela esfuziante e explosiva exposição.

Onde está Você, Geração 80? é, assim, uma oportunidade única e riquíssima de entender o que foi aquele momento. E é assim que a histórica mostra que inspirou a atual deve ser entendia. Como vai Você, Geração 80? foi mais um momento do que um movimento artístico cultural.

Para entender aquela exposição é importante dizer que, em 1984, o Brasil vivia um momento de liberdade e de exercício dos direitos políticos. O movimento das Diretas, Já – que levou à primeira eleição direta para presidente depois de muitos ano – inseriram a população num inefável Em nível estadual, o Rio de Janeiro encontrava no governo de Leonel Brizola a chance de viver algo mais próximo de um benfazejo socialismo. “Todos sonhavam com a festa de um País que se preparava para o baile da democracia”, lembra o curador Marcus Lontra, na apresentação da exposição atual.

Foi neste clima que Adriano de Aquino, foi nomeado Coordenador de Artes Visuais da Fundação Nacional de Artes do Rio de Janeiro, responsável pela Escola de Artes Visuais do Parque Laje. Com Marcus Lontra, ele resolveu mudar a filosofia daquela escola, tirando-a das mãos dos burocratas, ligados ao fazer artístico tradicionalista, e aproximando-a da ruptura e do povo.

Essa tentativa dos artistas da época de aproximar sua produção das camadas menos elitizadas da sociedade uma das grandes marcas e conceitos da coletiva do Parque Laje. “A pluralidade de estilos e os diferentes níveis técnicos de realização caracterizaram aquela mostra como uma forma empolgante e sincera de estabelecer contato com o público, muitas vezes frio – mesmo distante – das artes de seu tempo”, lembra Adriano de Aquino.

Este diálogo mais aberto com o público fez com que se desvelassem outros conceitos marcantes naquela coletiva: a busca de uma identidade cultural brasileira, o retorno à pintura, o namoro com ícones e ídolos pop, a exploração das cores, a valorização da arte popular e, principalmente, do corpo. O barroco e o barraco se misturavam. A vanguarda estrangeira cedia elementos para uma arte essencialmente brasileira.

É este espírito que pode ser visto, assinado pelo talento de grandes artistas, na exposição Onde anda Você, Geração 80?, uma dívida que está sendo generosamente paga.

    Você também pode gostar

    A geração que aproximou a arte do povo

    Arquivo Geral

    22/11/2004 0h00

    Quando 153 artistas plásticos resolveram fazer uma grande exposição coletiva na Escola de Artes Visuais do Parque Laje, em julho de 1984, no Rio de Janeiro, a arte brasileira viveu um instante único e histórico. Com o sugestivo título Como vai Você, Geração 80? , o evento deixou um lastro marcante, hoje revisto, 20 anos depois, em Onde está Você, Geração 80?, abrangente mostra que será aberta ao público, a partir de amanhã, até 9 de janeiro de 2005, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB).

    Onde está Você, Geração 80? traz 48 artistas, a maioria deles remascentes da coletiva no Parque Laje e outros contemporâneos que influenciaram ou que foram influenciados por aquela impactante mostra no Rio de Janeiro.

    O brasiliense pode rever ou conhecer artistas fundamentais daquela geração, como Leonilson, já falecido, Daniel Senise, Alex Vallauri, Nuno Ramos e Luiz Zerbini, nomes capitais na renovação das artes plásticas no País.

    A importância e grandiosidade do resgate em exposição no CCBB, que tem a curadoria de Marcus Lontra – diretor da Escola do Parque Laje, na época, e idealizador da mostra de 1984 – pode ser medido pela quantidade de módulos do evento. São 13 segmentos que dão uma boa e competente idéia do que foi aquele brilhante espasmo da geração 80.

    Os segmentos revelam os artistas que prepararam o caminho para o surto criativo inicial da coletiva dos anos 80, no módulo A Preparação, e, nos outros 12, os conceitos que marcaram aquela esfuziante e explosiva exposição.

    Onde está Você, Geração 80? é, assim, uma oportunidade única e riquíssima de entender o que foi aquele momento. E é assim que a histórica mostra que inspirou a atual deve ser entendia. Como vai Você, Geração 80? foi mais um momento do que um movimento artístico cultural.

    Para entender aquela exposição é importante dizer que, em 1984, o Brasil vivia um momento de liberdade e de exercício dos direitos políticos. O movimento das Diretas, Já – que levou à primeira eleição direta para presidente depois de muitos ano – inseriram a população num inefável Em nível estadual, o Rio de Janeiro encontrava no governo de Leonel Brizola a chance de viver algo mais próximo de um benfazejo socialismo. “Todos sonhavam com a festa de um País que se preparava para o baile da democracia”, lembra o curador Marcus Lontra, na apresentação da exposição atual.

    Foi neste clima que Adriano de Aquino, foi nomeado Coordenador de Artes Visuais da Fundação Nacional de Artes do Rio de Janeiro, responsável pela Escola de Artes Visuais do Parque Laje. Com Marcus Lontra, ele resolveu mudar a filosofia daquela escola, tirando-a das mãos dos burocratas, ligados ao fazer artístico tradicionalista, e aproximando-a da ruptura e do povo.

    Essa tentativa dos artistas da época de aproximar sua produção das camadas menos elitizadas da sociedade uma das grandes marcas e conceitos da coletiva do Parque Laje. “A pluralidade de estilos e os diferentes níveis técnicos de realização caracterizaram aquela mostra como uma forma empolgante e sincera de estabelecer contato com o público, muitas vezes frio – mesmo distante – das artes de seu tempo”, lembra Adriano de Aquino.

    Este diálogo mais aberto com o público fez com que se desvelassem outros conceitos marcantes naquela coletiva: a busca de uma identidade cultural brasileira, o retorno à pintura, o namoro com ícones e ídolos pop, a exploração das cores, a valorização da arte popular e, principalmente, do corpo. O barroco e o barraco se misturavam. A vanguarda estrangeira cedia elementos para uma arte essencialmente brasileira.

    É este espírito que pode ser visto, assinado pelo talento de grandes artistas, na exposição Onde anda Você, Geração 80?, uma dívida que está sendo generosamente paga.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado