A mãe tem um papel fundamental na educação dos filhos, todos sabem. Houve um período contudo que a mãe foi responsabilizada pelas piores heranças comportamentais dos filhos. Estudos recentes demonstram, porém, que a visão do rosto da mãe produz no cérebro do bebê endorfinas, substâncias responsáveis pelas sensações agradáveis da interação social e dos relacionamentos afetivos. Por isso, a psiquiatra está defendendo um maior período de licença-maternidade, o que seria compensado economicamente no futuro com mais indivíduos felizes e ajustados.
Durante muitos anos, a mãe foi tida como a maior culpada pelos problemas apresentados pelos filhos. Era a chamada “mãe esquizofrenogênica”, “inimigo público número 1 da saúde psicológica dos rebentos”, segundo a literatura “psi”. No cinema, a melhor representação dessa mãe “neurotizante” foi dada por Woody Allen no filme Édipo Arrasado. Porém, a ciência tem uma notícia boa para as mamães, que vão continuar sendo vistas como uma “droga”. Só que uma droga do bem.
Estudos sobre a neurobiologia e a psicobiologia da relação mãe-bebê indicam que as interações por meio de olhares mútuos representam a forma mais intensa e benéfica de comunicação interpessoal.
endorfinas A visão do rosto da mãe desencadeia altos níveis de opiógenos endógenos no cérebro infantil em desenvolvimento. As endorfinas são bioquimicamente responsáveis pelas sensações agradáveis da interação social e relacionamentos afetivos, já que agem diretamente nos centros de recompensa subcorticais dos cérebros infantis.
Outras pesquisas feitas com crianças que sofreram maus-tratos ou foram abandonadas mostram que a mãe não só age como um modulador do estado afetivo da criança, mas também como reguladora da produção de neuro-hormônios que influenciam a ativação do sistema de ação dos genes, programando o crescimento estrutural de regiões cerebrais essenciais para o futuro desenvolvimento socioemocional da criança.
Em poucas palavras: mãe estimula a produção de endorfina e, com isso, ajuda a organizar o “self” (personalidade) dos filhos. Segundo Vera Lemgruber, presidente da Aperj – Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro, várias medidas, no âmbito político-econômico, poderiam ser tomadas para potencializar os benefícios individuais e sociais dessa relação.
Licença“Os governos poderiam, por exemplo, propiciar condições para maiores e melhores períodos de licença-maternidade. A longo prazo, os custos seriam amplamente compensados com o aumento do número de cidadãos mais felizes e socialmente ajustados”, defende a psiquiatra.
“Cada indivíduo nasce com uma carga genética, isto é, predisposições, tendências ou vulnerabilidades, mas a resultante final, o chamado fenótipo, o comportamento da pessoa na fase adulta, depende da influência exercida pelas inúmeras experiências de vida, desde os primeiros meses e ao longo da vida do indivíduo. Uma relação plena e satisfatória com a mãe é fundamental para a saúde psicológica do bebê e do futuro adulto”, finaliza Vera Lemgruber.