Desde que tinha 14 anos, José Wilker se tornou um leitor compulsivo da História brasileira. Hoje, com 60 anos recém-completados, o ator se prepara para, mais uma vez, mergulhar em fatos históricos, agora vivendo o presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK, que será exibida em janeiro. Essa será apenas mais uma experiência de Wilker como uma personalidade histórica. Ele já foi Tiradentes, Antônio Conselheiro e Lampião, para citar os mais conhecidos, o revolucionário João Fernandes (em A Batalha dos Guararapes, de 1978) e o conde Valadares (em Xica da Silva, de 1976), os dois últimos nem tão famosos, mas nem por isso menos reais. E também foi o intempestivo Tenório Cavalcanti em O Homem da Capa Preta, sendo considerado o Melhor Ator em Gramado, em 1986, quando o filme de Sérgio Rezende faturou ainda os Kikitos de Melhor Filme, Melhor Música e Melhor Atriz (Marieta Severo).
“Quando interpreto uma figura histórica, é sempre um risco. Esses personagens têm muitos donos, muitas pessoas que os conheceram, então é preciso achar uma síntese para você”, explica Wilker. Para o ator, é mais confortável fazer esse tipo de trabalho, principalmente no que diz respeito à imagem:
“O papel não precisa parecer comigo, posso pegar emprestado o jeito, a postura e a forma de falar”.
Wilker diz que a composição de cada personagem é diferente, mas tem uma fórmula que, talvez, explique por que sempre é convidado para estes papéis: “Essas grandes figuras têm uma santidade, uma solenidade que a própria História coloca sobre elas. O que tento fazer é humanizá-las”. Para a minissérie, que começa a ser gravada em outubro, Wilker mergulhou fundo na história de JK. Leu duas biografias e livros sobre os anos 50. Só que desta vez a maquiagem