O maior espetáculo da Terra vai começar. O palco já é conhecido de todo planeta há quase três décadas: a Avenida Marquês de Sapucaí, sucessora com glória e estilo da Praça Onze e da Presidente Vargas, antigos palcos do Carnaval carioca. O elenco mistura artistas desconhecidos, com seus pandeiros, surdos, cuícas, tamborins e gingado inigualável, e famosos, desfilando beleza e um limitado samba no pé. O público, sempre entusiasmado, busca seus ingressos com a avidez de quem verá cenas que jamais se apagarão das mentes, coroadas pelo luxo dos carros alegóricos, pelo brilho das fantasias e pela batida arrepiante das baterias.
Assim é o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, o maior evento do Carnaval carioca. Em dois dias, mais de 70 mil sambistas vão desfilar para uma assistência de 250 milhões de pessoas, graças à transmissão pela TV, contando histórias incríveis por meio de sambas harmoniosos. Alguns serão esquecidos na Quarta-feira de Cinzas, quando restará apenas a saudade da folia, a emoção pela vitória e a desilusão pelo fim da festa. Outros ficarão imortalizados, com suas letras cantadas anos a fio. Quem não se lembra do inesquecível Domingo, da União da Ilha dos anos 70, do reeditado Aquarela do Brasil, do Império Serrano, do lendário Silas de Oliveira, que pontificou nos anos 60, ou do empolgante Peguei um Ita no Norte, que deu o título de 1993 ao Salgueiro? Isso sem falar nas brilhantes homenagens a Chico Buarque e Tom Jobim que só a Mangueira soube fazer?
Neste ano, o desfile das escolas de samba do Rio entra em sua 75ª edição, com muitas novidades, especialmente para quem já garantiu o ingresso na Marquês de Sapucaí. Amanhã será inaugurada oficialmente a Cidade do Samba, onde as escolas instalaram seus barracões e por onde vão desfilar, nas próximas semanas, sambistas e famosos. Mas por lá tudo é segredo. Afinal, a expectativa é que dá um gostinho especial à festa da Sapucaí.
A ordem dos desfiles já foi definida e uma das grandes vai abrir o domingo, às 21h. Caberá ao Salgueiro receber o público. Do mesmo modo, já na manhã da Terça-feira Gorda, a Portela fecha o ponto máximo da folia na Marquês de Sapucaí (veja quadro). Só falta você neste espetáculo de luzes cores e muito samba no pé.