A história da revolução acreana é tema da ópera brasiliense Aguiry, A Luta de um Povo, hoje e amanhã, às 20h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
Composta pelo maestro Mário Lima Brasil, com produção da Rio Amazonas Produções, a ópera relembra as diferentes etapas da batalha travada entre brasileiros e bolivianos, que tornou o Acre um estado independente, no início do século 20. “Mostramos todo esse processo e a saga que envolve esse povo”, conta o maestro.
O elenco traz jovens cantores que são destaque no cenário nacional como Leonardo Neiva e a brasiliense Luciana Tavares. “Em cada local que visitamos buscamos esse trabalho dos artistas locais”, informa.
Os cenários para as apresentações na cidade estão sendo totalmente fabricados em Brasília e a produção envolve 150 pessoas no elenco: “É um trabalho grandioso. Tem telão de 12 metros, barcos. A estrutura é bem chamativa”, antecipa o maestro.
O enredo se desenvolve em torno da chegada de uma família de retirantes nordestinos ao Acre. O grupo consegue trabalho como seringueiros e logo se estabelece a relação trabalhista semi-escravocrata entre seringueiros e seringalistas.
Com uma equipe de quase 200 pessoas, incluindo os 60 artistas do elenco, a ópera é composta por 39 cenas. Modos nordestinos, a música dos povos da floresta, sons da floresta e a história da revolução acreana serviram de inspiração para a composição de Aquiry, a Luta de um Povo. “Trabalhamos as músicas folclóricas do Norte, o estilo e as características da região. O clima é próprio”, explica o maestro.
Mário Lima Brasil nasceu em Rio Branco (AC) e iniciou estudos de música na Universidade de Brasília. Estudou trompa com Bohumil Med e composição e regência com Cláudio Santoro. Sob sua influência compôs o balé Cantos em Cantos do Japão, para orquestra e cinco instrumentos japoneses.
De volta ao Brasil, iniciou pesquisas de música afro-brasileira, doutorando-se pela ECA-USP, onde escreveu a tese Mudanças Musicais do Babassuê. Depois de Brasília, a ópera segue para Belém e Manaus.