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Tecnologia & Inovação

Festival 3i discute IA, mídia digital e eleições de 2026

Evento no Rio reúne nomes do jornalismo brasileiro e estrangeiro para debater impacto, audiências e sustentabilidade financeira.

Redação Jornal de Brasília

29/05/2026 20h46

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Teve início nesta sexta-feira (29), no Rio de Janeiro, a sétima edição do Festival 3i, que segue até domingo (31). O evento marca os cinco anos da Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e reúne especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir os rumos da imprensa digital, o avanço da inteligência artificial (IA) e os desafios da cobertura das eleições de 2026.

Entre os convidados estão o italiano Mattia Peretti, especialista em IA aplicada às redações e fundador do News Alchemists; a paraguaia Jazmin Acuña, cofundadora do El Surti; a norte-americana Madison Karas, especialista em design de serviços para mídia; a queniana Daisy Okoti, editora de impacto do Nation Media Group; e Elizabeth Otálvaro, codiretora executiva do veículo colombiano Mutante.

Para a diretora executiva da Ajor, Maia Fortes, o festival acontece em um momento crucial para a democracia e para o ecossistema de mídia no país. Ela afirmou que as eleições majoritárias de 2026 ocorrerão em um cenário de transformação acelerada, com a inteligência artificial generativa reconfigurando a relação com o público, a desinformação se ampliando em velocidade e escala sem precedentes e a sustentabilidade financeira permanecendo como desafio estrutural.

Uma das principais discussões do dia tratou do jornalismo de impacto e da busca por relevância e função social. Daisy Okoti explicou que o Daily Nation divide o retorno social em três categorias: macro, quando uma denúncia leva à demissão de um funcionário corrupto; intermediário, quando há resposta institucional; e micro, quando um leitor relata que um artigo o ajudou.

Elizabeth Otálvaro apresentou a metodologia do Mutante, chamada de “conversa social”, baseada em falar, compreender e agir para mudar a vida cotidiana das comunidades. Ela citou como exemplo uma investigação sobre o vírus HPV, a partir da qual o veículo identificou, pelo monitoramento social, que mulheres tinham medo de falar sobre o diagnóstico por desinformação. Segundo Otálvaro, uma roda de conversa sobre o impacto emocional acabou se transformando em uma comunidade ativa no WhatsApp.

Jazmin Acuña afirmou que repensar métricas tradicionais levou o El Surti a se enxergar não apenas como distribuidor de conteúdo, mas como veículo capaz de gerar mudanças. Ela disse que o site decidiu romper o isolamento da internet, colaborando com o público em investigações, organizando fóruns, cruzando arte com jornalismo e abrindo as portas da redação.

Os debates também abordam as mudanças nos hábitos de consumo de informação. Dados recentes apontam que 32% dos veículos online no Brasil são iniciativas individuais ou blogs, e que 33% dos brasileiros afirmam se informar por meio de influenciadores digitais.

A agenda do festival inclui ainda a sustentabilidade econômica de veículos independentes e tradicionais, em meio à queda no mercado de assinaturas e conteúdos pagos no Brasil. Segundo os dados apresentados, o percentual de leitores pagantes recuou de 20% em 2023 para 17% em 2025.

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