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Tecnologia & Inovação

Do app bancário ao cockpit de agentes de IA

Com atuação em sistemas para farmácias e integrações bancárias, Henry Lima desenvolveu o Vibe Sensei, ferramenta para acompanhar agentes de inteligência artificial durante tarefas de programação

Redação Jornal de Brasília

15/10/2026 13h14

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Por Milena Verardo

Na Coopersystem, em Brasília, Henry Lima trabalhou em aplicativos bancários com integrações de Google Pay e Samsung Pay e comunicação entre aplicações. Suas responsabilidades incluíram criar módulos nativos em Kotlin, linguagem utilizada no desenvolvimento Android, e componentes de interface voltados a desempenho.

Essas entregas conectavam funcionalidades da aplicação a recursos do celular e a outros serviços. O trabalho exigia considerar o comportamento de partes do sistema que permanecem fora da tela, mas das quais depende o funcionamento da interface.

Hoje, essa experiência compõe o percurso do criador do Vibe Sensei, aplicativo que organiza tarefas de programação entre agentes de inteligência artificial. A ferramenta permite acompanhar cada agente em um terminal, enquanto o desenvolvedor revisa as alterações antes de incorporá-las ao projeto.

Sistemas que precisam continuar funcionando

Antes da atuação em aplicativos bancários, Henry trabalhou no desenvolvimento de software para operações comerciais. Na Develon, criou o Tecfarma, sistema de gestão para farmácias composto por aplicações para computador e web, serviços de integração e bancos de dados.

O projeto exigia desenvolver tanto as telas utilizadas na operação quanto os serviços responsáveis pelo processamento das informações. O resultado documentado é uma solução de gestão construída em diferentes camadas, da interface ao armazenamento dos dados.

Na Expert Soluções em Tecnologia, Henry desenvolveu serviços e interfaces web e trabalhou na manutenção de sistemas legados. Suas atividades incluíram modernizar a arquitetura, corrigir falhas e implementar melhorias de desempenho.

A contribuição de Henry nesses projetos está na construção e manutenção das aplicações. Enquanto o Tecfarma reúne funcionalidades de gestão para farmácias, o trabalho na Expert envolve atualizar sistemas existentes. Em grandes consultorias de tecnologia, suas entregas se concentraram em funcionalidades móveis e integração com carteiras digitais.

Esse percurso oferece o contexto para sua atuação com agentes de IA. A programação automatizada produz alterações que ainda precisam ser examinadas dentro de um sistema, com suas dependências e regras de funcionamento.

“Com agentes de IA, o desenvolvedor passa a dedicar mais atenção à definição das tarefas e à revisão das entregas. O agente pode escrever uma solução, mas alguém precisa verificar se ela resolve o problema e se funciona dentro do sistema. Essa responsabilidade continua sendo nossa”, afirma Henry.

O que o desenvolvedor consegue acompanhar

De acordo com a descrição do Vibe Sensei, um agente orquestrador recebe a solicitação do usuário, divide o trabalho e reúne as entregas. Cada agente opera em um terminal visível, permitindo acompanhar a execução das tarefas.

Os agentes trabalham em cópias separadas do mesmo projeto. A separação organiza as alterações simultâneas, mas a incorporação dos resultados continua exigindo revisão e testes.

A documentação descreve a coordenação como local: a comunicação que organiza os agentes ocorre dentro do computador. Os comandos de voz também são transcritos na máquina, sem necessidade de enviar o áudio a um serviço externo de transcrição.

O processamento realizado pelos modelos de IA pode, porém, utilizar provedores externos. O envio de código e contexto depende dos agentes conectados e da configuração escolhida. O uso de modelos locais para esse processamento aparece como recurso futuro no planejamento consultado.

O aplicativo também recomenda modelos conforme a tarefa e o orçamento disponível. Quando não conhece o saldo de um provedor, mostra “desconhecido”. Segundo a documentação, o roteador distingue valores conhecidos de estimativas e não troca de provedor nem utiliza créditos pagos silenciosamente.

A documentação registra verificações para detectar credenciais e outras informações sensíveis no código-fonte, na preparação de versões e nos arquivos compilados. Esses procedimentos integram o desenvolvimento do produto; sua eficácia no ambiente de uma instituição ainda precisa ser avaliada.

A adoção institucional permanece em avaliação

Governos e organizações reguladas estão entre os públicos que o projeto pretende atender. O planejamento inclui ambientes com separação entre organizações e a obtenção de um relatório SOC 2 Type II, voltado à avaliação de controles ao longo de um período. O material consultado apresenta esses itens como planos.

O framework de gestão de riscos de IA do National Institute of Standards and Technology (NIST), dos Estados Unidos, recomenda definir responsabilidades de supervisão humana e documentar riscos relacionados a componentes de terceiros. Essa orientação fornece contexto para a discussão, sem constituir uma avaliação do Vibe Sensei.

A análise da ferramenta em uma instituição financeira precisa considerar permissões de acesso, informações enviadas aos provedores e registros das ações executadas. A descrição desses mecanismos nos documentos do projeto ainda não equivale à sua validação independente em um ambiente bancário.

Para Henry, o trabalho com agentes acrescenta uma etapa de supervisão à atividade que já desenvolveu em sistemas comerciais e financeiros. A entrega de código por uma IA precisa ser seguida da decisão sobre o que pode entrar no projeto e quais verificações são necessárias.

“Antes de incorporar uma entrega, preciso conferir o que foi alterado, executar as verificações adequadas e avaliar como a mudança se comporta com o restante do sistema. Uma tarefa encerrada pelo agente ainda precisa passar por essa revisão”, diz.

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