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Saúde

SUS avalia oferecer remédio injetável para prevenir HIV ainda este ano

Ministério da Saúde vai pedir à Conitec a inclusão do carbotegravir, enquanto negocia preço com a GSK. O governo também citou o lenacapavir como alternativa, mas disse que o valor inviabilizou a oferta.

Redação Jornal de Brasília

27/07/2026 21h51

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a oferecer ainda este ano uma nova versão da profilaxia pré-exposição (PreP) contra o HIV, aplicada por injeção. O medicamento em avaliação é o carbotegravir, que tem ação prolongada e pode ser administrado a cada dois meses.

O Ministério da Saúde deve encaminhar na semana que vem o pedido de inclusão do remédio à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec). Cabe ao colegiado avaliar aspectos como custo-benefício antes de recomendar, ou não, a incorporação. A decisão final, porém, é do Ministério da Saúde.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo ainda negocia com a farmacêutica GSK, produtora do carbotegravir, o preço final do medicamento e a quantidade de doses a serem compradas. Ele afirmou que a empresa apresentou uma oferta com “preço adequado”.

Padilha disse ainda que o custo foi determinante para a escolha da PreP injetável que o governo pretende oferecer. Outro medicamento, o lenacapavir, dá proteção por seis meses, mas foi considerado inviável pelo governo por causa do valor oferecido. O ministro afirmou que o Brasil chegou a se dispor a pagar até 10 vezes o preço ofertado a países como Indonésia e Tailândia, sem sucesso.

Apesar de ter participado dos testes, o Brasil ficou fora do acordo de licenciamento voluntário assinado pela farmacêutica Gilead, que autorizou seis empresas a produzir versões genéricas do lenacapavir para distribuição em 120 países. A decisão foi criticada por participantes da Conferência Internacional de Aids, incluindo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), que vê o medicamento como peça central no enfrentamento da epidemia.

Em nota, a Gilead disse compartilhar a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe. A empresa afirmou que, fora dos países contemplados no licenciamento voluntário, como o Brasil, segue buscando caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo. Também informou ter assinado um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz para explorar potenciais oportunidades de transferência de tecnologia.

Atualmente, o SUS já oferece PreP oral, em comprimidos tomados diariamente. Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso ao medicamento. Segundo estudo da Fiocruz com 1,4 mil pessoas em seis cidades brasileiras, 83% preferiram a injeção. O levantamento também mostrou que 94% dos participantes compareceram ao serviço de saúde no prazo correto para receber as doses, e nenhum deles foi infectado pelo vírus. Outro estudo de vida real divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK apontou taxa anual de infecção pelo HIV de 0,1%.

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