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Saúde

Sarampo em crianças com menos de 5 anos pode causar pneumonia e sequelas neurológicas

“Se não fosse algo tão sério, o sarampo não teria um protocolo vacinal. É muito importante que todas as crianças tomem a vacina e também estejam com a caderneta vacinal em dia para a própria proteção e a de outras crianças”, afirma a administradora.

Redação Jornal de Brasília

04/08/2026 10h32

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A vacinação segue como medida fundamental para prevenir casos de sarampo, poliomielite e outras doenças | Foto: Jhonatan Cantarelle-Agência Saúde-DF

PATRÍCIA PASQUINI E RUBENS CAVALLARI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A administradora de empresas Jennifer de Matos, 32, aproveitou o primeiro dia da Campanha Nacional de Multivacinação para proteger a filha, Zoe Pina, 1 ano e 8 meses, contra o sarampo e o vírus influenza. Pela manhã, Jennifer compareceu à UBS (Unidade Básica de Saúde) Parque Maria Domitila, na região de Pirituba, zona norte de São Paulo, e atualizou a carteirinha da criança.

“Se não fosse algo tão sério, o sarampo não teria um protocolo vacinal. É muito importante que todas as crianças tomem a vacina e também estejam com a caderneta vacinal em dia para a própria proteção e a de outras crianças”, afirma a administradora.

Menores de cinco anos, em especial os que possuem menos de um ano, integram o grupo mais vulnerável às complicações causadas pelo sarampo.

Eduardo Jorge da Fonseca Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) alerta que a pneumonia é a principal causa de morte num quadro de sarampo nos menores de um ano.

A doença também pode causar otite, encefalite aguda e sequelas neurológicas a partir de complicações como a panencefalite esclerosante subaguda, doença cerebral grave que leva a perda progressiva das funções intelectuais e motoras.

O médico afirma que a disseminação do sarampo é rápida.

“O sarampo não é uma doença benigna, principalmente neste público. O vírus diminui a imunidade da criança como um todo. Além de causar pneumonia, há ação no sistema nervoso provocando encefalite.

É como abrir a porta do sistema imunológico para outras doenças virais que podem se expressar de forma muito mais grave”, afirma.

Segundo o pediatra, o vírus do sarampo chega a diminuir de 11% a 73% a memória imunológica que o corpo da criança guardava contra outras doenças. É a chamada “amnésia imunológica”.
Com as células de memória que guardam esse histórico destruídas, o corpo perde a capacidade de combater vírus e bactérias. Os percentuais constam em estudos publicados nas revistas Science e Science Immunology.

Lima afirma que o sarampo evolui em quatro períodos: 1) incubação, que dura em torno de dez a 15 dias; 2) catarral, de dois a quatro dias, quando aparecem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e as manchas brancas na mucosa oral, chamadas de Koplik; 3) exantemático, de quatro a seis dias, é a fase marcada pelo aparecimento das manchas vermelhas que se iniciam no rosto, atrás da orelha, e se espalham para o tronco, braços e pernas; 4) convalescença, quando o paciente apresenta descamação.

Esse último período marca a recuperação.

A partir do quinto dia do surgimento das manchas, o isolamento do paciente pode ser encerrado, uma vez que não transmite mais o vírus.

Quando o quadro evolui para a gravidade, os sinais dependem da complicação que a criança desenvolverá.

“Na pneumonia, que é a complicação que mais mata, no período de convalescença tem retorno da febre alta, respiração rápida e cansaço extremo, respirando com dificuldade”, explica.

“O sinal de alerta mais importante é a volta da febre após o terceiro dia do surgimento das manchas vermelhas. No sarampo, quando surgem as manchas, a febre desaparece normalmente. Se ao invés de desaparecer a febre persistir ou retornar, é sinal de complicação. Na otite, a dor de ouvido é intensa. Na encefalite, a criança terá sonolência excessiva, apatia, pode ter crise convulsiva, irritabilidade e cefaleia”, diz o especialista.

O sarampo é uma doença de transmissão respiratória causada por um vírus. Os sintomas mais comuns são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca.

Não possui tratamento específico, mas exige controle dos sintomas e das complicações. “Antibiótico não funciona contra o vírus, exceto se a criança desenvolver uma infecção bacteriana secundária”, finaliza o médico.

A vacina é recomendada para crianças a partir de 6 meses até adultos de 59 anos e está disponível gratuitamente em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) nos 645 municípios do estado de São Paulo.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira (3), o 16º caso de sarampo no estado, em 2026.

Do total, 13 casos ocorreram na capital, dois em São Bernardo do Campo, no ABC, e um em Guarulhos, na região metropolitana. Dez infectados são bebês menores de um ano.

O registro mais recente é o de um menino com menos de um ano, da cidade de São Paulo, que tomou apenas uma dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Do total de infectados, dez são bebês desta faixa etária.

O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela). A pasta também orienta que bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias dos três municípios devem receber a dose zero.

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