Lorrainy Rabelo
O fenômeno da gravidez tardia, ou seja, desejar engravidar depois dos 35 anos, é crescente, um fenômeno populacional identificado globalmente e que se deve a motivações profissionais, pessoais e econômicas. Hoje em dia, estar nessa faixa etária não impede de ter uma gestação e que ela seja saudável.
No entanto, para possibilitar esse projeto e para que a gestação transcorra com os menores riscos possíveis, é necessário planejamento e atenção redobrada durante a gravidez, pois sabemos que os riscos de complicações para a mãe e para o bebê aumentam com o avanço da idade.
Mulheres com mais idade têm um risco maior de:
- Problemas médicos durante a gravidez — como hipertensão e diabete gestacional;
- Aborto — sofrer um aborto espontâneo;
- Parto prematuro — ter um parto prematuro;
- Alterações genéticas no bebê — como síndrome de Down;
- Problemas congênitos — ter um bebê com problemas congênitos, como cardiopatia.
Dessa forma, a primeira preocupação deve ser com a quantidade e qualidade dos óvulos, que é afetada de forma gradativamente maior ano após ano depois dos 35 anos.
Por isso, está indicado o congelamento de óvulos para mulheres que desejam engravidar tardiamente, a fim de aumentar as chances de que a gravidez ocorra e diminuir riscos de abortamento e alterações genéticas no bebê.
Uma vez congelados, os óvulos podem assim permanecer por tempo indeterminado e a gravidez resultante desse óvulo terá os riscos de alteração genética e de abortamento da idade em que foi realizado o congelamento.
As normas atuais do Conselho Federal de Medicina orientam a idade limite de 50 anos para que esses óvulos sejam utilizados.
Depois da gravidez estabelecida, sabemos que existe um risco materno também aumentado para algumas alterações, como listado acima. E a prevenção de tais complicações está intimamente ligada aos hábitos de vida, saúde e cuidados pré-natais.
Uma gestação incorre em uma sobrecarga para o metabolismo da grávida, sendo que em idades mais jovens, as mulheres estão mais aptas a suportarem a alta demanda metabólica para gerar um bebê.
Seguem algumas dicas de cuidados para a gravidez depois dos 35 anos:
- Faça um check-up antes de engravidar — converse com seu médico sobre sua saúde geral e sobre o que pode fazer para melhorar suas chances de ter uma gravidez saudável. Aproveite para informar-se sobre os testes genéticos que podem detectar anormalidades e outros problemas potencialmente graves com o feto.
- Faça os exames pré-natais — passar por todas as consultas pré-natais recomendadas é fundamental para que seu obstetra possa monitorar a sua saúde e a saúde do seu bebê.
- Mantenha uma dieta saudável — durante a gravidez, você precisará de mais ácido fólico, cálcio, ferro, vitamina D e outros nutrientes essenciais. Peça orientações ao seu médico e pergunte se é necessário complementar a alimentação com suplementos de vitaminas.
- Atenção ao peso — se você está acima do seu peso saudável, é recomendado emagrecer antes de tentar engravidar. Mas, durante a gestação, ganhar a quantidade certa de peso indicada pelo médico pode apoiar a saúde do seu bebê.
- Pratique exercícios físicos — manter-se ativa durante a gravidez pode ajudá-la a aliviar ou mesmo prevenir desconforto, aumentar o seu nível de energia e melhorar a sua saúde geral. Mas não os pratique sem antes pedir o aval do seu médico.
- Evite substâncias prejudiciais — álcool, tabaco e drogas ilegais são altamente contraindicados durante a gravidez.
Portanto, planejamento é a palavra chave para quem deseja postergar o projeto de ter filhos. Conversar com um médico especialista e procurar o melhor aconselhamento para a realidade da mulher é o primeiro passo para postergar esse sonho e, principalmente, possibilitar que ele se realize com a maior segurança possível.
Lorrainy Rabelo é médica ginecoendocrinologia, obstetra e especialista em reprodução humana. É especialista em fertilidade, trabalha com procedimentos de fertilização in vitro, congelamento de óvulos, reprodução homoafetiva masculina, reprodução homoafetiva feminina, reprodução independente, inseminação intrauterina, coito programado e solução em infertilidade.
Lorrainy possui graduação em Medicina pela Escola Superior de Ciências da Saúde — Brasília (2013). Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Materno Infantil de Brasília (2017). Fellow na Division of Human Reproduction na Limoges University Hospital — França (2017). Especialização em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia — TEGO. Título de Especialista em Reprodução Humana pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
