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Saúde

Pesquisa da ESP/DF sobre HTLV recebe prêmio internacional

Estudo premiado na Filadélfia avaliou a prevenção da transmissão vertical do vírus no Distrito Federal.

Redação Jornal de Brasília

09/06/2026 14h00

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Segundo a pesquisadora, o estudo permitiu identificar desafios na organização da linha de cuidado e na orientação às mulheres e famílias acompanhadas pelos serviços de saúde | Foto: Divulgação Fapecs/DF

Uma pesquisa desenvolvida por Beatriz Maciel, ex-aluna da 11ª turma do mestrado profissional em Ciências para a Saúde da Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP/DF) e servidora da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), recebeu reconhecimento internacional na 22nd Biennial International Conference on Human Retrovirology: HTLV and related viruses, realizada na Filadélfia, nos Estados Unidos, entre os dias 3 e 6 deste mês.

O trabalho, intitulado “Impact of antenatal HTLV-1/2 screening on vertical transmission in Distrito Federal, Brazil”, demonstrou a eficácia de medidas adotadas no Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenir a transmissão vertical do HTLV, vírus que pode passar da mãe para o bebê durante a gestação, no parto ou na amamentação.

Apresentado em formato de pôster, o estudo recebeu o Runner Up Poster Prize, reconhecimento descrito pelas organizadoras como resultado da qualidade científica, da clareza da apresentação e da relevância do tema. Segundo o texto, os resultados mostraram que a identificação precoce das gestantes, somada a medidas preventivas como a não amamentação, o uso de cabergolina e a oferta de fórmula láctea infantil, contribuiu para interromper a transmissão do vírus da mãe para o bebê.

A pesquisa foi resultado da dissertação de mestrado da servidora, intitulada “Transmissão vertical do vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV) no Distrito Federal: uma realidade?”, orientada pela docente Aline Imoto. Beatriz Maciel afirmou que o reconhecimento internacional valoriza um estudo produzido a partir da realidade do SUS e voltado a um problema de saúde pública ainda pouco visibilizado.

Segundo a pesquisadora, o estudo também permitiu identificar desafios na organização da linha de cuidado e na orientação às mulheres e famílias acompanhadas pelos serviços de saúde. Ela destacou ainda que a produção de dados locais e materiais educativos contribui para dar visibilidade ao tema, apoiar profissionais de saúde e qualificar a orientação às gestantes e famílias.

O Distrito Federal realiza testagem para HTLV no pré-natal desde 2013, antes mesmo da incorporação nacional do exame pelo SUS, o que, segundo a reportagem, ajudou a construir uma experiência local relevante para a prevenção da transmissão vertical.

Além da dissertação, a pesquisa resultou na produção de cartazes e materiais educativos destinados a profissionais de saúde, gestantes e familiares, ampliando o alcance das informações sobre prevenção e cuidado. O desenvolvimento desses produtos contou com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

Para Beatriz Maciel, a principal contribuição do trabalho está na aproximação entre a produção científica e a prática dos serviços de saúde. Ela afirmou que a pesquisa nasce de uma demanda concreta da saúde pública e dialoga diretamente com a necessidade de organizar melhor a resposta ao HTLV no SUS, unindo vigilância, assistência, educação em saúde e produção de tecnologias aplicadas ao cuidado.

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