O Ministério da Saúde lançou, nesta segunda-feira (24), na Fiocruz em Recife (PE), o projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. A iniciativa, com investimento de R$ 3,5 milhões, visa fortalecer o debate e as ações de enfrentamento aos impactos da crise climática na saúde e na alimentação, por meio da formação de uma rede de comitês populares ambientais em periferias de Pernambuco e Paraíba.
O projeto é voltado para representantes de movimentos sociais e da sociedade civil com escolaridade de nível fundamental, médio ou superior, que atuem ou residam em territórios da Paraíba e de Pernambuco. Estudantes de graduação e pós-graduação, além de docentes de instituições públicas de ensino e pesquisa, também podem participar. A proposta inclui a criação de 135 Comitês Populares Ambientais em regiões metropolitanas, sendo 90 em Pernambuco e 45 na Paraíba, com foco na articulação entre clima, saúde e alimentação a partir de princípios da educação popular.
Os comitês estimularão a solidariedade comunitária e a vigilância popular em saúde, promovendo o diálogo entre saberes técnicos e populares. A iniciativa busca transformar em ações práticas as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS).
Para viabilizar a estrutura, o projeto formará 27 estudantes de graduação e pós-graduação como monitores, responsáveis por preparar 270 Agentes Populares Ambientais. Cada monitor acompanhará cinco comitês, com dois agentes por comitê e até dez participantes da comunidade. A formação dos agentes terá carga horária de 168 horas, e eles atuarão no planejamento, coordenação das atividades e estratégias de comunicação popular nos territórios.
Os agentes serão indicados por movimentos sociais e devem ter no mínimo 16 anos, disponibilidade de horário, experiência com educação popular, atuação em grupo e afinidade com o tema das mudanças climáticas. Lívia Méllo, representante do Ministério da Saúde, destacou a importância de envolver a população na construção de soluções. “Esse projeto é fundamental porque, muitas vezes, a gente só atua quando os desastres já aconteceram. A própria pandemia é um exemplo de crise relacionada à interferência humana no meio ambiente. Precisamos valorizar as experiências que as comunidades já desenvolveram nesses contextos e incorporá-las como tecnologias sociais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou.
Alice Albuquerque, agente popular ambiental e estudante de artes, moradora do Centro de Recife, enfatizou o caráter coletivo da iniciativa. “A gente vai poder escutar quem vive ali, quem conhece de perto os problemas, para buscar soluções coletivas. Nosso papel não é dar aula, mas construir conhecimento junto, de forma popular e coletiva”, destacou.
O projeto é coordenado pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE), em parceria com o Mãos Solidárias, a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).