O Ministério da Saúde anunciará a construção das primeiras Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) nos estados do Piauí e Rio Grande do Norte nesta semana. As ordens de serviço serão assinadas pelo secretário de Atenção à Saúde Indígena, Weibe Tapeba, nesta sexta-feira (16) em Piripiri (PI) e na próxima terça-feira (20) em João Câmara (RN). Com um investimento superior a R$ 2,1 milhões, a iniciativa contemplará cinco unidades, beneficiando mais de 9 mil indígenas.
Trata-se da primeira implantação de estruturas de saúde indígena em estados que não contavam com Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), unidades gestoras do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Para viabilizar o atendimento, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) estruturou os DSEI Ceará e Potiguara, responsáveis pelas ações nos dois estados.
No Piauí, quatro UBSI serão erguidas nas aldeias Serra Grande, Canto da Várzea, Sangue e Santa Teresa. No Rio Grande do Norte, a aldeia Amarelão receberá uma unidade. Essa medida consolida a presença da saúde indígena no mapa nacional, assegurando serviços em todos os 27 estados do país pela primeira vez.
Segundo o secretário Weibe Tapeba, a expansão representa uma reparação histórica para povos indígenas negligenciados em gestões passadas. “É a consolidação da luta desses povos pelo direito a uma atenção à saúde indígena integral e diferenciada. A Sesai reafirma seu papel de assegurar a implementação dos serviços em todo o território nacional”, destacou.
Dados do IBGE revelam que o Piauí abriga cerca de 4,1 mil indígenas de etnias como Tabajara, Caboclo Gamela, Kariri, Caboclo da Prata, Akroá Gamela, Guegué de Sangue e Tapuios, distribuídos em dez municípios. No Rio Grande do Norte, aproximadamente 5,4 mil indivíduos das etnias Tapuia Paiacu, Tapuia Tarairiú, Potiguara e Caboclos do Açu vivem de forma tradicional.
O planejamento iniciou-se em 2024 com o cadastramento das famílias nas aldeias. Em 2025, foram contratados profissionais de saúde exclusivos para as regiões. Para 2026, estão previstas ações de logística e infraestrutura. Paralelamente, um Grupo de Trabalho para Reestruturação dos DSEI, instituído em outubro de 2025, discute critérios para novas unidades, considerando aspectos territoriais, populacionais e epidemiológicos.
*Com informações do Ministério da Saúde