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Saúde

Mais de 15 milhões de brasileiros convivem com doenças reumáticas

Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático alerta para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado

Redação Jornal de Brasília

30/10/2026 15h59

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Viver com dores constantes, limitações físicas e a incompreensão de outras pessoas faz parte da rotina de milhões de brasileiros que enfrentam doenças reumáticas. “Viver com dor é horrível, não desejo isso nem pro meu pior inimigo. A dor te poda, você perde a alegria de viver”, desabafa Maria de Fátima Araújo dos Santos, de 71 anos, diagnosticada com osteopenia, condição caracterizada pela redução da densidade mineral dos ossos.

Acompanhada pela equipe de Reumatologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Maria de Fátima representa uma realidade que afeta mais de 15 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Nesta sexta-feira (30), Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático, especialistas reforçam a importância do diagnóstico e do tratamento adequado dessas enfermidades, que podem comprometer articulações, músculos, ossos e outros órgãos.

Entre as doenças reumáticas mais conhecidas estão osteoartrite, também chamada de artrose, gota, tendinite, bursite, artrite reumatoide e lúpus. No Hospital de Base, o serviço de Reumatologia realiza mais de mil atendimentos por mês.

O chefe do serviço, Roberto Rodrigues, explica que os impactos dessas condições ultrapassam as dificuldades físicas e atingem também a vida social e profissional dos pacientes.

“Conviver com a dor é a maior dificuldade enfrentada pelos pacientes. Isso inclui superar as limitações causadas por ela, seja com medicamentos ou fisioterapia, e lidar com a falta de compreensão de familiares e colegas de trabalho”, afirma.

Maria de Fátima também enfrenta o desafio de explicar aos outros o sofrimento causado pela condição. Segundo ela, a ausência de sinais visíveis faz com que algumas pessoas questionem a intensidade das dores. “Ninguém consegue ver o que você está sentindo. Então, eles não entendem. Tem gente que acha que estamos inventando, estamos nos fazendo de vítima. Isso me deixa muito triste”, relata.

Diagnóstico pode levar tempo

A identificação das doenças reumáticas nem sempre é simples. Como os sintomas variam e podem ser confundidos com manifestações de outros problemas de saúde, a investigação clínica é fundamental para determinar a origem das dores e estabelecer o tratamento adequado.

Aos 16 anos, Kethelen Pereira Neyre de Sousa começou a apresentar inchaços pelo corpo e dores. Depois de passar por internações prolongadas e diversas consultas, recebeu o diagnóstico de lúpus, doença autoimune que pode atingir diferentes órgãos e sistemas do organismo.

“Cheguei a ficar mais de um mês internada, e os médicos não descobriam o que tinha de errado. Hoje, mesmo medicada, têm dias que acordo com muita dor, enjoo e fadiga”, conta.

A convivência com a doença também fez Kethelen perceber a importância da troca de experiências entre pacientes. Para ela, compartilhar dificuldades ajuda a combater a desinformação e o isolamento enfrentado por quem vive com uma condição crônica.

“Cada um tem o seu jeito de sentir e vai passar por coisas diferentes, mas é importante saber que outras pessoas vivem as mesmas coisas”, destaca.

Pessoas que apresentam sintomas persistentes devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Após a avaliação inicial, o profissional poderá indicar o encaminhamento para atendimento especializado, quando necessário, em unidades de referência, como o Hospital de Base do Distrito Federal.

Com informações da Sedes-DF

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