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Saúde

Fundação do Câncer alerta para avanço dos vapes entre jovens

Entidade lançou campanha no Dia Mundial sem Tabaco e defendeu mais medidas para conter a produção e a publicidade dos cigarros eletrônicos

Redação Jornal de Brasília

31/05/2026 18h13

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A Fundação do Câncer alertou para o avanço dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, entre jovens e para o risco de aumento de casos de câncer no Brasil. O posicionamento foi reforçado no Dia Mundial sem Tabaco, celebrado neste domingo (31), em sintonia com a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS), “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”.

Segundo o diretor executivo da entidade, o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, os dispositivos têm sido vendidos com facilidade em redes sociais, sites e no comércio informal, apesar de a comercialização continuar proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. Ele afirmou que os produtos vêm ganhando novas formas e funções, passando a aparecer disfarçados ou embutidos em acessórios e integrados ao cotidiano de maneira quase imperceptível.

Entre os exemplos citados estão os chamados vaporizer hoodies, moletons com vaporizadores integrados ao tecido. Para Maltoni, os disfarces permitem que o uso passe despercebido em locais como metrô e escola. “Tudo para tornar o jovem viciado”, disse. Ele também avaliou que esse cenário representa risco de retrocesso nas políticas de controle do tabaco no país.

A Fundação do Câncer lançou, no mesmo dia, a campanha “Spoiler: ele não te ama”, dentro do Movimento Vape Off. O filme, no formato de reportagem, reúne três jovens anônimos que falam sobre um relacionamento abusivo associado ao adoecimento deles. A proposta é chamar a atenção da juventude para a forma como a indústria apresenta esses dispositivos e alertar que o uso pode causar dependência.

A entidade informou ainda que os novos aparelhos incorporam recursos como tela sensível ao toque, jogos, música e sistema de troca de mensagens, em sintonia com hábitos ligados a celulares, tablets e redes sociais. Alguns modelos, segundo a Fundação do Câncer, reagem quando o usuário interrompe o uso, criando um ciclo contínuo de estímulo.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 mostram que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Para Maltoni, o aumento é alarmante.

A consultora da Fundação do Câncer na área de tabagismo, Milena Maciel de Carvalho, afirmou que a exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento do cérebro e aumentar a vulnerabilidade à dependência ao longo da vida. Ela também disse que esses dispositivos podem expor usuários a substâncias tóxicas, como partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados, além de estarem associados a riscos respiratórios e cardiovasculares.

Ao defender medidas para conter a produção e a publicidade dos vapes no Brasil, Maltoni citou o exemplo da Inglaterra, que ampliou restrições à publicidade, promoção, apresentação e apelo desses produtos entre crianças e adolescentes. Segundo ele, o país também proibiu a venda de produtos de tabaco para quem nasceu depois de 1º de janeiro de 2009.

Com informações da Agência Brasil

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