O formigamento nas mãos é um sintoma que pode estar associado a diferentes problemas de saúde, como diabetes, distúrbios da tireoide e compressões nervosas. Em alguns casos, o quadro pode indicar a Síndrome do Túnel do Carpo, condição que pode evoluir e demandar cirurgia quando não tratada de forma adequada.
De janeiro a novembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 501.450 atendimentos relacionados à síndrome, sendo 410.919 em mulheres e 90.531 em homens, segundo dados do Ministério da Saúde.
Localizado entre a mão e o antebraço, esse “túnel” é um canal estreito por onde passam o nervo mediano, responsável pela sensibilidade da palma dos dedos (exceto o mínimo) e pelos impulsos que movimentam o polegar, além dos tendões que permitem dobrar os dedos e o punho.
O Ministério da Saúde explica que a síndrome ocorre quando o nervo mediano é comprimido dentro do canal, o que pode acontecer tanto em situações que reduzam o tamanho do túnel ou aumentem o volume dos tecidos que passam por ele.
Além do formigamento, que costuma surgir principalmente à noite, o paciente pode apresentar dor que irradia dos dedos até o ombro, sensação de peso no antebraço e choques ao tocar no punho, sinal de que o nervo está sob sofrimento, conforme indica a pasta.
Com a progressão do quadro, pode haver ainda a perda de sensibilidade na ponta dos dedos e, em casos mais avançados, o enfraquecimento da musculatura na base do polegar, dificultando tarefas simples do dia a dia, como abotoar roupas, segurar objetos ou distinguir temperaturas.
O tratamento é definido mediante avaliação com um médico especialista em ortopedia e traumatologia. Para quem tem dúvidas sobre o que o médico ortopedista trata, a especialidade abrange doenças que afetam ossos, articulações, músculos, tendões e nervos periféricos, incluindo compressões como a que ocorre com o túnel do carpo.
Nos casos leves da síndrome, pode ser indicada a imobilização do pulso associada ao uso de anti-inflamatórios. Se não houver melhora, aplicações de medicamentos no interior do canal podem ser consideradas.
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) destaca que a maioria dos pacientes responde ao tratamento conservador, que inclui medicação e imobilização. Caso contrário, também pode ser indicado que o paciente procure um cirurgião geral, mas a cirurgia é reservada apenas em último caso, quando não é apresentada melhora com as medidas clínicas.
Causas da Síndrome do Túnel do Carpo
O Ministério da Saúde informa que a síndrome do túnel do carpo pode ocorrer por diferentes fatores. Entre os mais frequentes estão permanecer longos períodos com o punho flexionado, o que reduz o espaço dentro do túnel. Isso pode ocorrer durante o uso de celular, tablet ou computador, ao dirigir ou até mesmo ao dormir com o punho dobrado.
Outro fator que contribui para o desenvolvimento da síndrome é realizar atividades que exigem movimentos repetitivos das mãos, como trabalhos manuais, digitação constante ou prática de instrumentos musicais.
Alterações hormonais, como as que acontecem na menopausa e na gestação também podem contribuir. Nos casos relacionados à gravidez, os sintomas tendem a regredir após o parto.
Além disso, traumas na região, incluindo quedas e fraturas, e postura inadequada ao realizar atividades diárias ou profissionais são mencionadas pelo órgão.
Como é a recuperação da cirurgia?
De acordo com o especialista em cirurgia da mão e microcirurgia, Diego Falcochio, a cirurgia da Síndrome do Túnel do Carpo pode ser realizada por duas técnicas. A forma aberta consiste em uma incisão no pulso para acesso e secção do ligamento. Já a técnica endoscópica é menos invasiva e utiliza um endoscópio para cortar o ligamento por pequenas incisões.
A recuperação, segundo o médico, varia conforme a técnica utilizada e as características individuais do paciente. De forma geral, o pós-operatório é considerado tranquilo e seguro, com alívio da dor e do formigamento já nas primeiras semanas.
A movimentação dos dedos costuma ser retomada, com cautela, a partir do quarto dia, enquanto a recuperação funcional completa tende a ocorrer entre quatro e seis semanas. Segundo o médico, o processo de reabilitação é fundamental nesta etapa. Mesmo com a redução inicial do inchaço e do desconforto, o punho e os dedos precisam recuperar mobilidade, força e coordenação após o período de imobilização.
Por isso, a fisioterapia pode ser indicada após a retirada dos pontos, em geral a partir da segunda semana. Os exercícios começam de forma leve e evoluem progressivamente, de acordo com a resposta individual de cada paciente.
O tempo de cicatrização completa, segundo o médico, também varia, mas costuma ficar entre quatro e seis semanas, dependendo do tipo de procedimento realizado e do período em que o nervo permaneceu comprimido antes da cirurgia.
O especialista destaca, ainda, que um formigamento leve pode persistir por alguns dias ou semanas, especialmente em casos mais avançados, até que o nervo se recupere completamente. Sendo assim, o paciente não deve se assustar com o sintoma.