A administradora Jaqueline Mendonça, de 34 anos, inicialmente atribuiu suas crises intermitentes de falta de ar ao cansaço, mas descobriu que se tratava de asma não controlada adequadamente. Os sintomas incluíam chiado no peito, tosse noturna e dificuldade para realizar atividades simples, como subir escadas.
“Teve um dia em que parecia que o ar não entrava. Foi assustador. Eu só usava bombinha quando piorava, mas não sabia que precisava tratar todos os dias”, relatou Jaqueline.
Sua experiência reflete a realidade de milhões de brasileiros afetados pela asma, uma doença inflamatória crônica que atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. Neste 5 de maio, o Dia Mundial de Combate à Asma, com tema definido pela Global Initiative for Asthma (Gina), destaca a urgência de acesso a inaladores anti-inflamatórios para prevenir crises e mortes evitáveis. A Gina é uma organização médica internacional colaboradora da Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a pneumologista Nancilene Melo, do IgesDF, a inflamação da asma está presente continuamente e requer controle com uso regular de inaladores contendo corticoide, frequentemente associados a broncodilatadores. Esses medicamentos atuam na causa da doença, reduzindo o risco de agravamento.
Após iniciar o tratamento adequado, Jaqueline experimentou melhora rápida e interrompeu a medicação, o que levou ao retorno dos sintomas. “Eu parei de usar a medicação porque estava me sentindo bem. Em pouco tempo, tudo voltou. Foi quando entendi que precisava tratar a doença, não só a crise”, explicou.
A interrupção do tratamento e o uso isolado de broncodilatadores para alívio imediato são erros comuns que mantêm a doença ativa e aumentam o risco de crises mais intensas, alertou a especialista.
No Distrito Federal, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito para asma, desde unidades básicas de saúde até centros de referência como o Hospital de Base, com ambulatórios especializados. O DF conta com cerca de 27 centros distribuídos em hospitais regionais e unidades de saúde, proporcionando diagnóstico, acompanhamento e medicação.
Durante a primeira semana de maio, ações de conscientização no Brasil, promovidas por entidades como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e a Fundação Proar, enfatizam a adesão ao tratamento e novas terapias. Especialistas destacam que compreender a asma como uma condição crônica, similar ao diabetes ou hipertensão, é essencial para o autocuidado e prevenção de complicações.
Hoje, com tratamento regular, Jaqueline mantém qualidade de vida, pratica exercícios e evita limitações. A mensagem central do Dia Mundial é que, com acesso e adesão ao tratamento adequado, a asma pode ser controlada, permitindo uma vida plena para milhões de pessoas.
Com informações do IgesDF.