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Saúde

Estudo inédito revela perfil da odontologia no Brasil com 415 mil dentistas

O Ministério da Saúde, em parceria com a UFMG, lança levantamento que destaca concentração de profissionais no SUS e desigualdades regionais na saúde bucal.

Redação Jornal de Brasília

05/05/2026 20h52

fotos jornal

Nenhum dos pacientes atendidos no ambulatório de odontologia do HRSM ficará desassistido durante a reforma | Foto: Davidyson Damasceno/IgesDF

O Ministério da Saúde lançou um estudo inédito sobre o perfil dos profissionais de odontologia no Brasil, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O levantamento, intitulado ‘Sociodemografia e Mercado de Trabalho da Odontologia no Brasil’, identifica gargalos na área e apoia a formulação de políticas públicas para fortalecer o acesso à saúde bucal.

Os dados revelam que o país conta com 665.365 profissionais de saúde bucal, sendo 415.938 cirurgiões-dentistas, quase o dobro das demais categorias. A densidade nacional é de 19,55 dentistas por 10 mil habitantes, com forte concentração no Sudeste e menores contingentes no Norte. O Sistema Único de Saúde (SUS) concentra cerca de 80% dos vínculos de cirurgiões-dentistas, garantindo atendimento em áreas vulneráveis.

A força de trabalho apresenta predominância feminina nas atividades clínicas, com mulheres representando 65,5% dos dentistas, 93,8% dos técnicos e 96,4% dos auxiliares. Nas áreas laboratoriais de prótese, há predominância masculina. O perfil etário varia: dentistas e técnicos concentram-se entre 30 e 39 anos, enquanto auxiliares e profissionais de prótese mostram envelhecimento mais acentuado, com parcela significativa acima dos 50 anos.

O estudo aponta uma ‘pirâmide invertida’, com mais profissionais de nível superior e menor presença de técnicos e auxiliares, o que pode impactar a eficiência do atendimento. Há descompasso entre dentistas e equipes de apoio: em 2024, mais de 166 mil dentistas ocupados frente a 13,5 mil técnicos e 53,9 mil auxiliares.

A formação de odontologia expandiu-se 617,9% entre 1991 e 2023, alcançando mais de 650 cursos, quase 90% no setor privado. No mercado de trabalho, houve crescimento de 11,4% nos vínculos formais em 2023, após estagnação, mas com predominância de trabalho autônomo ou informal. Cerca de 27,6% dos dentistas possuem especialização, principalmente em ortodontia, implantodontia e endodontia, concentradas no Sudeste e Sul. Apesar de um aumento de 62% no número de especialistas entre 2013 e 2024, áreas estratégicas para a saúde pública, como patologia oral e prótese bucomaxilofacial, ainda apresentam baixa oferta.

O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, enfatizou o compromisso com a transparência e o uso de evidências para políticas públicas. Ele destacou iniciativas como o Formatec-SUS, que fortalece a qualificação de profissionais técnicos no SUS.

O governo federal ampliou ações pela Política Nacional de Saúde Bucal, o Brasil Sorridente, transformado em política de Estado pela Lei nº 14.572, de 2023. Em 2024, foi criada a Rede Nacional de Saúde Bucal no SUS para integrar o cuidado. A gestão retomou a distribuição de 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOM), com investimento de R$ 152 milhões, beneficiando cerca de 1,5 milhão de pessoas em regiões rurais, quilombolas, assentadas e indígenas. Algumas unidades incluem impressoras 3D para próteses personalizadas, totalizando 500 no país.

A rede abrange equipes nas Unidades Básicas de Saúde, Centros de Especialidades Odontológicas, Serviços de Especialidades em Saúde Bucal e Laboratórios Regionais de Prótese Dentária, promovendo desde prevenção até procedimentos complexos em áreas remotas.

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