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Saúde

Estudo estima custo de R$ 30,6 bilhões das bets ao SUS

Levantamento do IEPS aponta aumento da demanda por atendimento e expansão do teleatendimento do Ministério da Saúde para casos ligados a apostas online

Redação Jornal de Brasília

19/09/2026 13h28

sus

Foto: Marcelo Casal Junior/Agência Brasil

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima em R$ 30,6 bilhões por ano o impacto financeiro das apostas online sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). O cálculo inclui despesas com tratamentos de depressão, ansiedade e efeitos relacionados a mortes por suicídio.

Segundo o texto, apenas 1% do valor arrecadado das operadoras de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para minimizar esses danos. Nos últimos cinco anos, também foi registrado aumento de 140% na busca por atendimento no SUS por causa da dependência de apostas online e jogos de azar.

De acordo com o diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, o crescimento foi percebido em toda a Rede de Atenção Psicossocial. Ele afirmou que, diante da demanda, foi lançado um serviço de teleatendimento voltado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. Desde fevereiro, segundo Kimati, 20 mil pessoas se cadastraram após fazerem um teste na porta de entrada eletrônica.

A capacidade do serviço foi ampliada recentemente de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). O diretor também citou como indicativo do avanço do problema a plataforma de autoexclusão lançada pelo Ministério da Fazenda, que bloqueou mais de 5 milhões de CPFs em sites de apostas online autorizados a operar pelo governo federal.

Além disso, mais de 1 milhão de usuários pediram autoexclusão. Nesse grupo, quase metade alegou problemas de saúde mental relacionados às apostas. O SUS oferece teleatendimento psicológico pelo portal Meu SUS Digital, além de atendimento presencial nas unidades básicas de saúde e nos centros de Atenção Psicossocial (CAPs). O serviço também está disponível para familiares e é sigiloso.

A reportagem ouviu pessoas que buscaram ajuda para interromper o vício em apostas, como o vendedor Gustavo Pereira, de 24 anos, que recorreu à plataforma de autoexclusão depois de perder meio milhão de reais em seis anos. Também foram citados relatos de participantes de grupos de apoio, como Jogadores Anônimos e JOG-Anon, que oferecem atendimento a jogadores compulsivos e familiares.

Especialistas ouvidos na reportagem afirmam que sinais como isolamento, mudanças de humor, gastos mais altos, prejuízo escolar e perda de controle podem indicar dependência e exigem busca por ajuda qualificada.

Com informações da Agência Brasil

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