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Saúde

Estudo da Fiocruz revela risco 17 vezes maior de Guillain-Barré após dengue

Infectados pelo vírus da dengue apresentam risco aumentado de 30 vezes de desenvolver a síndrome nas duas primeiras semanas após a infecção

Redação Jornal de Brasília

16/04/2026 15h16

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz Bahia (Fiocruz) e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, publicado na revista New England Journal of Medicine, aponta que infectados pelo vírus da dengue têm um risco 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas seis semanas seguintes à infecção. Nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas, esse risco chega a ser 30 vezes maior.

De acordo com a pesquisa, que analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo internações hospitalares, notificações de casos de dengue e registros de mortes, foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024. Dessas, 89 ocorreram logo após o paciente apresentar sintomas da dengue.

Em números absolutos, para cada 1 milhão de casos de dengue, 36 pessoas podem desenvolver SGB, um número considerado pequeno, mas relevante diante das epidemias recorrentes no país, segundo os autores.

A SGB é uma complicação neurológica rara e potencialmente grave, em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular que geralmente começa nas pernas e pode progredir, dificultando a respiração em casos graves. A maioria das pessoas se recupera, mas o processo pode levar meses ou anos, com possíveis sequelas permanentes.

Os pesquisadores alertam para a necessidade de os gestores de saúde pública incorporarem a SGB como complicação pós-dengue nos protocolos de vigilância. Durante surtos de dengue, os sistemas de saúde devem estar preparados para identificar precocemente casos de fraqueza muscular, com leitos de UTI e suporte ventilatório disponíveis. Estratégias de vigilância ativa de SGB devem ser acionadas nas semanas seguintes ao pico de casos de dengue.

O estudo também orienta profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e neurologistas, a suspeitarem de SGB em pacientes com histórico recente de dengue (nas últimas seis semanas) que apresentem fraqueza nas pernas ou formigamento. O diagnóstico precoce é fundamental, pois o tratamento com imunoglobulina ou plasmaférese é mais eficaz quando iniciado rapidamente.

Não há tratamento antiviral específico para a dengue, cujo manejo se baseia em hidratação e suporte clínico. Por isso, os autores enfatizam que a prevenção, por meio do combate ao mosquito Aedes aegypti e da vacinação, continua sendo a medida mais eficaz. A vacinação pode reduzir drasticamente o número de casos e, consequentemente, de complicações graves como a SGB.

Enquanto não houver um tratamento antiviral eficaz contra a dengue, evitar a infecção é essencial para prevenir complicações como essa paralisia potencialmente grave, afirmam os pesquisadores.

O Brasil vive epidemias frequentes de dengue, com mais de 6 milhões de casos prováveis registrados em 2024. Globalmente, a dengue se espalhou de maneira mais rápida do que qualquer outra doença transmitida por mosquitos, com 14 milhões de casos no mundo no mesmo ano.

A relação entre arboviroses e complicações neurológicas já foi demonstrada durante a epidemia de Zika em 2015 e 2016, associada à microcefalia em bebês e ao aumento de casos de SGB em adultos. A dengue pertence à mesma família do Zika. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

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