Os casos graves de Influenza B seguem em alta no Distrito Federal. De acordo com o mais recente boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a capital está entre as unidades da Federação com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, ao lado de estados como Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Embora Brasília não apresente crescimento de casos nas últimas seis semanas, o volume de ocorrências permanece elevado, refletindo a persistência da circulação do vírus. No cenário nacional, a Fiocruz informa que a maioria dos estados registra estabilização ou interrupção do avanço da SRAG, mas destaca que a incidência ainda é alta em praticamente todo o país.
Segundo o médico especialista em medicina de família e comunidade Tiago Cavalcante, integrante da plataforma INKI de consultas médicas, a influenza B é um dos vírus responsáveis pela gripe sazonal e, apesar de ser menos conhecida do que a influenza A, pode provocar quadros graves, especialmente em crianças e adolescentes. “Clinicamente, não é possível diferenciar uma infecção por influenza A ou B apenas pelos sintomas. A distinção só ocorre por meio de exames específicos, quando há indicação médica. A gravidade dos dois tipos também é semelhante, principalmente entre os grupos mais vulneráveis”, explica.
O especialista destaca que a influenza B circula quase exclusivamente entre humanos, ao contrário da influenza A, que também infecta aves, suínos e outros animais, característica que favorece mutações e aumenta o potencial de grandes epidemias. Ainda assim, a influenza B continua sendo uma importante causa de hospitalizações durante os períodos de maior circulação dos vírus respiratórios.
Entre os sintomas mais comuns da influenza B estão febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, fraqueza, tosse seca e dor de garganta. Em crianças, também é frequente o aparecimento de náuseas, vômitos e diarreia. Seguno o médico, é essencial estar atento aos sinais de alerta que podem indicar evolução para síndrome respiratória aguda grave, situação que exige atendimento médico imediato.
“Entre esses sinais estão dificuldade respiratória evidente, respiração acelerada, dor torácica persistente ou sensação de pressão no peito, queda da saturação de oxigênio, apatia, recusa alimentar, baixa ingestão de líquidos, confusão mental e febre persistente ou recorrente, mesmo com o uso de antitérmicos. Ao perceber qualquer um desses sinais, a pessoa deve procurar assistência médica sem demora”, alerta Tiago.
Para o especialista, o aumento dos casos graves no Distrito Federal está diretamente ligado à sazonalidade. Entre março e julho, as temperaturas mais baixas e o clima seco favorecem a permanência do vírus no ambiente e deixam as vias respiratórias mais suscetíveis às infecções. A baixa cobertura vacinal entre os grupos prioritários também contribui para a manutenção da transmissão. “O pico de transmissibilidade da influenza B costuma ocorrer mais tardiamente em comparação a outros vírus respiratórios, prolongando sua circulação na comunidade e aumentando o risco de casos graves”, afirma.
O boletim da Fiocruz mostra ainda que o principal agente associado às hospitalizações por SRAG no país continua sendo o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por 55,9% dos casos. A influenza A responde por 12,7% das ocorrências e 33,1% dos óbitos, enquanto a influenza B representa 8,4% dos casos e 15,4% das mortes registradas entre os vírus respiratórios monitorados.
Embora a influenza B costume ser associada a quadros mais leves, ela também pode provocar complicações graves, principalmente em pessoas mais vulneráveis. “As complicações da influenza são mais frequentes em pessoas com comorbidades que comprometem a imunidade, como diabetes, insuficiência renal crônica, anemia crônica, doenças cardiovasculares, asma, enfisema pulmonar, HIV e câncer”, diz o médico.
Ainda segundo ele, crianças pequenas, idosos e gestantes apresentam maior risco. “Entre as complicações possíveis estão pneumonia, agravamento de doenças pré-existentes, insuficiência respiratória e evolução para síndrome respiratória aguda grave”, explica o especialista.
Sobre o tratamento, o médico destaca que a influenza B segue o mesmo manejo das demais síndromes gripais, fazendo o uso de medidas de suporte, como hidratação adequada, uso de analgésicos e antitérmicos, sempre respeitando contraindicações avaliadas pelo profissional de saúde.
“Em alguns casos, pode ser necessário o uso de antiviral específico, como o fosfato de oseltamivir. Esse medicamento é indicado conforme o protocolo do Ministério da Saúde, principalmente para pacientes com síndrome respiratória aguda grave e para pessoas dos grupos de risco que apresentem síndrome gripal. O início do antiviral deve ocorrer preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas, período em que sua eficácia é maior”.
Diante do cenário, a recomendação dos especialistas é manter a vacinação contra a influenza e a Covid-19 em dia, além de reforçar medidas de prevenção, como o uso de máscaras em unidades de saúde, ambientes fechados e locais com aglomeração, especialmente durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.
Cavalcante reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a influenza. “A imunização anual é a medida mais eficaz, custo-efetiva e abrangente para reduzir o risco da doença, oferecendo proteção contra os principais vírus influenza em circulação”, comenta.
Além da vacina, o médico destaca que medidas não farmacológicas continuam sendo fundamentais, como higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool 70%, etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar, manutenção de ambientes ventilados e uso de máscara em caso de sintomas ou contato próximo com pessoas gripadas. “Essas ações reduzem significativamente a transmissão do vírus, especialmente em períodos de maior circulação”, pontua Tiago.