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Saúde

Diagnóstico de esclerose múltipla pode levar três anos no Brasil

Pesquisa divulgada pela ABEM mostra que um quarto dos pacientes espera mais de cinco anos pela confirmação da doença, com reflexos no tratamento e na rotina.

Redação Jornal de Brasília

28/08/2026 10h28

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Foto: © NeuroGraphix Studio/ AdobeStock

Cerca de um quarto dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil demora mais de cinco anos para receber o diagnóstico, o que pode favorecer a progressão da doença. O alerta foi feito por uma pesquisa da HSR Health, em parceria com a Roche Farma, divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) nesta sexta-feira (28).

O estudo, lançado durante o Agosto Laranja, ouviu 368 pessoas em tratamento contra esclerose múltipla no país. Segundo os dados, 56,8% dos entrevistados receberam um diagnóstico incorreto antes da confirmação da doença. Além disso, 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo, e 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e a confirmação.

De acordo com o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a agilidade no diagnóstico é importante para retardar danos permanentes. Ele afirmou que muitos pacientes passam por até quatro médicos diferentes e levam, em média, três anos para ter o diagnóstico correto.

A pesquisa também mostra que, para 36% dos entrevistados, a principal barreira até a confirmação da doença são os médicos e outros profissionais de saúde. Outros 23% citaram exames e investigações, como a ressonância magnética, enquanto 18% apontaram a própria demora do diagnóstico e 12% mencionaram os custos para acessar o diagnóstico correto.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune que atinge principalmente mulheres jovens, na faixa de 20 a 40 anos. Segundo a ABEM, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a enfermidade, que afeta mobilidade, trabalho, rotina, saúde mental e autonomia.

Kleinpaul explicou que os sintomas, como embaçamento visual, dor, dormência e formigamento, podem ser confundidos com sinais de outras doenças, o que dificulta a identificação. Ele também afirmou que não é incomum uma mulher jovem chegar ao pronto-socorro com queixas desse tipo e receber diagnóstico de ansiedade, o que contribui para o atraso.

A educadora física Lucimara de Lima Santana, de 44 anos, relatou que passou quatro anos consultando diferentes especialistas em São Paulo até descobrir a doença. No período entre 2023 e 2024, os sintomas se intensificaram, com fadiga, dores e dificuldade para respirar. Ela disse que chegou a ficar sem trabalhar por um tempo até que exames de ressonância magnética e de líquor confirmaram a esclerose múltipla.

A pesquisa aponta ainda que 48% dos pacientes ouvidos estão estáveis ou em remissão, e 39% são economicamente ativos. Kleinpaul destacou que houve avanço no controle da progressão da doença e disse que, hoje, é possível evitar parte das incapacidades que antes seriam mais comuns.

Apesar disso, o acesso ao tratamento continua sendo um desafio: 41,2% relataram ter deixado de realizá-lo ou precisado remarcar por dificuldades de acesso, como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicação. Entre os entrevistados, 73,4% disseram ter deixado de fazer atividades por problemas emocionais, 41,6% evitam encontros sociais com frequência, 72,8% relatam prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento e 32,6% afirmam ter escondido o diagnóstico no trabalho por medo de preconceito ou demissão. Além disso, 85,6% convivem com gastos mensais extras relacionados à doença.

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