Saúde

Dia Mundial de Combate ao Câncer: especialistas ressaltam o papel da boa alimentação na redução dos riscos de incidência de tumores malignos

De acordo com uma pesquisar, uma em cada quatro pessoas não vê a obesidade como um problema relacionado ao câncer

A alimentação saudável, ao contrário do que muitos pensam, vai muito além de benefícios físicos e o simples auxílio no fortalecimento do sistema imunológico. “A nutrição inadequada é classificada como a segunda causa de câncer que poderia ser prevenida, atrás apenas do tabagismo, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Cerca de um terço de todos os cânceres humanos está relacionado ao tipo de alimentação”, explica Rodrigo Cunha Guimarães, oncologista do Grupo Oncoclínicas.

De acordo com uma pesquisa sobre a relação entre uma boa alimentação e a prevenção do câncer realizada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) em 2017, metade das pessoas ouvidas não faz exercícios físicos e uma em cada quatro pessoas não vê a obesidade como um problema relacionado ao câncer.

Segundo o médico, a adoção de comportamentos protetores, como seguir uma alimentação saudável, fazer atividades físicas com regularidade, evitar bebidas alcoólicas e manter o peso adequado são capazes de evitar 28% de todos os casos de câncer, também de acordo com estimativas do INCA. E essa é uma porcentagem relevante se considerarmos que 625 mil brasileiros devem receber o diagnóstico da doença em 2021. O assunto também é relevante por conta dos números globais: uma a cada cinco pessoas desenvolverá ao longo da vida algum tipo de tumor maligno e o câncer é a segunda principal causa de morte no planeta, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas e que seja, porém, pobre em ultraprocessados, como os prontos para consumo e as bebidas açucaradas, pode prevenir novos casos de câncer. Isso porque o excesso de gordura corporal provoca alterações hormonais e faz com que nosso organismo fique em constante estado inflamatório, o que por sua vez estimula a proliferação celular e dificulta o processo ativo de morte ‘programada’ das células – inclusive aquelas que apresentam problemas, que podem se tornar nocivas à saúde. Esses são fatores que sabidamente contribuem para o surgimento de tumores malignos”, diz Rodrigo.

Vale lembrar ainda que as evidências científicas apresentadas na última década têm relacionado dietas baseadas no consumo de açúcar, gorduras saturadas e gorduras trans e alimentos ultraprocessados com o favorecimento dos índices de câncer de várias formas. A exemplo disso, as mais recentes análises do Fundo Global de Pesquisa sobre o Câncer (WCRF) e do Instituto Americano de Pesquisa para o Câncer (AICR) indicam que a ingestão de fast food e alimentos com alto teor de sódio e açúcar estão aumentando em todo o mundo, levando ao crescimento global de sobrepeso e obesidade e, consequentemente, a mais casos de câncer.

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No caso do câncer de mama, que figura como o mais incidente entre toda a população global, recentes estudos demonstram que diferentes componentes dos alimentos, bem como uma boa qualidade alimentar, sendo fontes de vitaminas, minerais e compostos bioativos, podem ter relação direta na saúde celular, podendo influenciar no não aparecimento da doença, agindo como fatores de proteção.

“No total, temos indícios de que ao menos 13 tipos de câncer estão associados aos maus hábitos alimentares e excesso de peso. Na neoplasia de mama, o estilo de vida é fator determinante e há uma relação íntima com o padrão da alimentação – motivo de investigação científica crescente por conta da complexidade em desvendar todos os seus mecanismos. Fazem ainda parte dessa lista de tumores que têm sua crescente incidência ligada ao nosso tipo de consumo de alimentos os de colorretal, de útero, da vesícula biliar, do rim, de fígado, de ovário, de próstata, mieloma múltiplo, esôfago, pâncreas, estômago e tireoide”, explica a nutricionista oncológica Rafaela Peixoto, também do Grupo Oncoclínicas.

Dietas ricas em carboidratos de rápida absorção, excesso de peso corpóreo e circunferência da cintura elevada podem ainda acarretar em outras doenças crônicas como diabetes tipo 2, pressão alta, insuficiência cardíaca e depressão, além do câncer. Adultos com obesidade grave desde a infância vivem até dez anos menos em relação aos que mantiveram um Índice de Massa Corporal (IMC) – cálculo que considera o resultado do peso dividido pela altura ao quadrado – ideal para adulto 18,5 a do 24,9 kg/m2 e 22 a 27 kg/m2 para o idoso. Acima desse valor a pessoa é considerada com sobrepeso, enquanto o IMC superior a 30 indica obesidade e quando atinge a marca de 40 ou mais configura a chamada obesidade grave ou grau III, um sinal de alerta para um alto risco de mortalidade geral.

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Vilões no prato

São algozes e podem favorecer o aparecimento de cânceres, assim como outras doenças crônicas, o consumo de: sal em excesso; alimentos ultraprocessados; alimentos muito condimentados; temperos industrializados, que aumentam a incidência de câncer gástrico; excesso de carne e gordura animal; enlatados; carnes processadas/embutidas (salsicha, linguiça, presunto, peito de peru e blanquet de peru, bacon); nitritos e nitrato, presentes em alguns alimentos industrializados – o objetivo dessa substâncias é conservar e realçar o sabor – estão relacionadas com maior incidência de câncer de próstata, pâncreas, cólon e reto.

Além disso, os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida, explica a nutricionista oncológica Rafaela Peixoto.

“Se em vez disso, sua dieta for incrementada por frutas e hortaliças frescas e orgânicas, o cenário muda. É que determinados compostos presentes nestes alimentos impedem a mutação do DNA, criando uma espécie de proteção contra lesões celulares. Alguns alimentos específicos, como a cúrcuma, conhecida como açafrão da terra, também estão associados com a inibição do crescimento das células cancerosas”, ensina Rafaela Peixoto.

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E as dicas de alimentação balanceada são também valiosas para garantir melhores respostas aos tratamentos de quem recebeu o diagnóstico do câncer.

“Quem tem a doença pode e deve repensar os hábitos alimentares, aumentando o consumo de nutrientes para fortalecer a imunidade. Além disso, é muito importante fazer um acompanhamento com um nutricionista especializado”, ressalta o oncologista Rodrigo.

Recomendações específicas para prevenção do câncer

Carne vermelha e processadas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de carnes processadas como: salsicha, linguiça, presunto e bacon, aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de câncer de intestino. O consumo elevado de carne vermelha (suína, bovina e carneiro), por si só já é considerado um fator de provável ação cancerígena. Vale lembrar que, esse alimento é uma fonte importante de nutrientes portanto, o consumo dentro das recomendações é um dado importante a ser ressaltado.
Recomenda-se a ingestão de no máximo 100 gramas por dia, até três refeições na semana, e no restante dos dias, preferir carnes brancas (frango e peixe), ovos e outras combinações de alimentos ricos em proteínas vegetais como feijões, lentilha, ervilha e grão de bico, ressalta a nutricionista oncológica Camila Dutra, da Oncoclínicas Brasília.

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Açúcares e bebidas açucaradas

Todas as células do nosso corpo, incluindo células cancerígenas precisam de açúcar (glicose) da nossa corrente sanguínea como fonte de energia. Mas, é preciso que se tenha uma atenção quanto ao consumo excessivo do mesmo, pelo fato de que isso possa significar mais calorias do que o necessário, o que leva ao aumento do peso e gordura corporal. Segundo o American Institute for Cancer Research, é o excesso de gordura corporal que aumenta o risco de desenvolvimento do câncer, não apenas o açúcar como fator isolado. Desta forma, recomenda-se a ingestão de uma dieta rica em alimentos nutritivos como grãos integrais, vegetais, frutas e feijões e a substituição de bebidas açucaradas por bebidas de baixa ou nenhuma caloria, explica a nutricionista Camila.

Sal (cloreto de sódio)

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O sal está presente naturalmente nos alimentos e é essencial na dieta, porém em pequenas quantidades pois o excesso está relacionado a maior incidência de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que sejam consumidos no máximo cinco gramas de sal por dia. Sendo que 2 g estejam presentes naturalmente nos alimentos e apenas 3 g (duas colheres de chá rasas) sejam acrescentados no preparo das refeições em um dia, enfatiza a nutricionista oncológica da Oncoclínicas Brasília.






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