Menu
Saúde

Dia dos Namorados: como lidar com o luto depois do rompimento

Redação Jornal de Brasília

12/06/2026 11h42

depressão, suicidio

Foto: Creative Commons

Por Caetano Mota e João Pedro Nogueira
Agência de Notícias CEUB

Enquanto casais celebram o Dia dos Namorados, a data pode ter um significado bem diferente para quem enfrenta o primeiro 12 de junho após o fim de um relacionamento.

Uma estudante que se identificou como Amanda, de 22 anos, terminou recentemente um namoro de três anos e meio. A jovem e o ex-namorado compartilhavam uma rotina íntima: como moravam perto e estudavam na mesma faculdade, iam juntos para as aulas e dividiam momentos simples do dia a dia, como os almoços.

Com o fim do relacionamento, essa rotina também chegou ao fim, e Amanda passou a enfrentar sintomas de ansiedade e um sentimento constante de solidão, mesmo contando com uma grande rede de apoio.

“É horrível ter que eliminar uma das pessoas mais importantes da sua vida do dia para a noite”, relata.

Fim de ciclo

De acordo com a psicóloga Júlia Gouveia, experiências como essa podem ser compreendidas como um processo de luto. Segundo ela, o conceito não se refere apenas à elaboração de perdas relacionadas à morte, mas também a mudanças significativas na vida de uma pessoa. “Entendo o luto como o fim da vida como a gente antes conhecia”, diz.

Por isso, engana-se quem pensa que esse tipo de sofrimento está restrito ao fim de casamentos. Términos de namoro ou até mesmo de uma “ficada” também podem gerar impactos emocionais significativos. “Independentemente do rótulo, não temos como dimensionar o impacto que uma interação pode ter para uma pessoa”, afirma a profissional.

Possíveis “gatilhos

O primeiro Dia dos Namorados após um término pode não só intensificar a dor da separação, mas também despertar recaídas e impulsos, como procurar o ex ou reviver lembranças do relacionamento.

A fim de evitar isso, Amanda já sabe o que pretende fazer e, principalmente, o que não pretende. A programação inclui um jantar com amigas, mas longe de restaurantes, para evitar ambientes tomados por casais. Ela também decidiu se afastar das redes sociais.

“Vai me lembrar bastante dos anos anteriores em que comemorei a data com meu ex-namorado”.

Para a professora de psicologia Júlia Gouveia, a escolha de Amanda não é incomum. Segundo ela, o primeiro Dia dos Namorados pode ser especialmente delicado para pessoas mais suscetíveis à comparação e à superexposição das redes sociais.

“Elas não apenas olham para o relacionamento das outras pessoas como se fosse perfeito, mas também se lembram do que perderam ou do que já tiveram. Muitas vezes, fica a sensação de que só você não está vivendo o relacionamento ideal”, explica.

Autocuidado

Embora evitar a superexposição nas redes, dedicar tempo a atividades prazerosas e se cercar de pessoas queridas possa ajudar, Júlia Gouveia afirma que não existe uma fórmula única para atravessar a data de forma saudável, já que cada pessoa vivencia o término de uma forma diferente.

A psicóloga ainda chama atenção para a diferença entre uma tristeza saudável e um sofrimento psicológico mais grave. Momentos de solidão e tristeza fazem parte do processo de luto, mas é importante perceber quando essa dor começa a ultrapassar os limites do esperado.

Embora cada caso seja particular, Gouveia explica que o sofrimento merece atenção quando persiste por longos períodos e passa a comprometer a capacidade da pessoa de realizar as atividades do dia a dia.

“Nesses casos, a busca por ajuda profissional pode ser necessária”, diz.

Além do romance

Embora o Dia dos Namorados seja frequentemente associado ao romantismo, sua origem está ligada ao comércio. No Brasil, a data foi criada em junho para movimentar as vendas em um período tradicionalmente mais fraco para o varejo. O dia 12 foi escolhido por anteceder a celebração de Santo Antônio, conhecido popularmente como o “santo casamenteiro”.

A data acabou se consolidando como uma das mais populares do calendário brasileiro e, embora seja tradicionalmente associada aos casais, o 12 de junho também movimenta quem está solteiro.

A festa Besito, em Brasília, aposta justamente nesse público. Com hits de funk e reggaeton, a diretora de comunicação Ana Laura Paranhos diz que a ideia do evento nasceu da vontade de transformar o Dia dos Namorados em uma experiência mais leve, divertida e social para todos.

Para ela, iniciativas como essa oferecem uma alternativa para quem deseja viver o dia de outra forma. “Na minha percepção, sair nesta data deixou de ser uma forma de fugir da solidão e passou a ser uma maneira de celebrar a autoestima. Enquanto alguns querem celebrar relacionamentos, outros querem apenas encontrar amigos, conhecer pessoas novas e criar memórias”, afirma.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado