Menu
Saúde

Dengue desacelera, mas mata 28 pessoas no Brasil em 2026

Embora tenham avançado nos últimos dias, as mortes neste início de 2026 têm ritmo mais lento do que nos dois anos anteriores

Redação Jornal de Brasília

13/03/2026 17h38

dengue

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS

A dengue provocou a morte de 28 pessoas no Brasil em 2026, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, atualizado na terça-feira (10). O número era de 18 óbitos na atualização anterior, de 27 de fevereiro.

O avanço é puxado pelo Pará, com 7 óbitos, seguido por Tocantins (5) e Minas Gerais (4). São Paulo e Goiás têm 3 mortes cada um; Maranhão e Mato Grosso, 2, enquanto Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte contabilizam 1 registro cada um.

Embora tenham avançado nos últimos dias, as mortes neste início de 2026 têm ritmo mais lento do que nos dois anos anteriores. A média para o período é de 3 mortes por semana epidemiológica, muito abaixo de 2025, quando 35 pessoas morreram por semana por complicações da doença. Diferença ainda maior para 2024, que terminou com 121 óbitos semanais.

Segundo o pesquisador Leonardo Bastos, coordenador do Infodengue, painel da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) que monitora a endemia pelo país, a queda se explica pelos altos índices dos anos anteriores.

“Tem circulado pelo Brasil os sorotipos 1 e 2 da dengue nos últimos três anos e, como os anos anteriores amargaram altos números, sobretudo 2024, aumentou a resistência de boa parte da população à infecção”, afirma.

Ele diz ainda que a condição climática atual é mais favorável à estabilidade, com temperaturas mais próximas do normal e sem fenômenos externos como o El Ninõ de 2024, que contribuiu para índices maiores. O El Niño é marcado por um aquecimento acima da média no oceano Pacífico, perto da linha do Equador.

O número de óbitos, contudo, tende a crescer na próxima atualização devido à investigação de mortes possivelmente ligadas à dengue. Nesta seara, São Paulo lidera com 51 investigações, seguido por Goiás, que tem 30, e Maranhão, com 9 apurações. Até agora, o país tem 53 mil testes positivos.

O Brasil encerrou 2025 com 1.821 pessoas mortas pela infecção causada pelo Aedes aegypti. Mais de 1,4 milhão de pessoas tiveram a doença.

Trata-se de redução significativa após a crise epidemiológica de 2024, pior ano da série histórica, que teve quase 6 milhões de infecções e 6.300 mortes.

Ainda que os maiores registros ocorram entre março e abril, se a média persistir, o país encerrará 2026 com mortes em queda novamente.

A arbovirose transmitida pelo Aedes aegypti possui quatro sorotipos. Quando um indivíduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais.

Quem apresentar febre alta (38°C a 40°C) de início repentino e pelo menos duas manifestações —dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos— deve procurar uma unidade de saúde.

Passada a fase crítica, a maioria se recupera. Em alguns casos, a doença pode progredir para formas graves e óbito.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado