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Saúde

Debate no Senado enfatiza vacinação contra HPV para eliminar câncer cervical

Especialistas destacam baixa cobertura vacinal no SUS e diagnóstico tardio como agravantes da doença, especialmente no Norte e Nordeste.

Redação Jornal de Brasília

05/05/2026 22h25

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Waldemir Barreto/Agência Senado Fonte: Agência Senado

Um debate realizado nesta terça-feira (5) na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal destacou a importância da vacinação contra o HPV para combater o câncer do colo do útero, terceira causa de morte entre mulheres no Brasil, com maior incidência nas regiões Norte e Nordeste.

A audiência pública, promovida por iniciativa do presidente da comissão, senador Marcelo Castro (MDB-PI), e conduzida pela senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), reuniu representantes do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e de sociedades médicas. A senadora alertou para o avanço da doença e defendeu a ampliação da vacinação, políticas públicas mais eficazes e diretrizes práticas para alcançar a população, especialmente diante da projeção de que as doenças oncológicas se tornarão a principal causa de morte até 2030.

Guacyra Magalhães Pires Bezerra, diretora do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, afirmou que o país tem condições para prevenir a doença por meio de rastreio organizado, incluindo a pesquisa de DNA/HPV oncogênico, com expansão prevista para todo o território nacional até o final do ano.

Roberto de Almeida Gil, diretor-geral do Inca, explicou que o câncer do colo do útero é prevenível e evitável, sendo o terceiro em incidência entre as mulheres no Brasil, enquanto o câncer de corpo uterino e o de ovário ocupam o sexto e o oitavo lugares, respectivamente. Ele destacou a vacina quadrivalente contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de ambos os sexos, que protege contra quatro tipos do vírus (6, 11, 16 e 18). Gil mencionou a necessidade futura de incorporar a vacina nonavalente, disponível apenas no sistema privado, que protege contra nove tipos.

Daniele Assad-Suzuki, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, estimou 17 mil novos casos anuais no país e enfatizou as metas da Organização Mundial de Saúde (OMS) de vacinar 90% de meninas e meninos nessa faixa etária. No entanto, a cobertura atual no Brasil fica abaixo de 80% para meninas e 70% para meninos. Ela recomendou retomar a vacinação nas escolas e conscientizar a população sobre a prevenção de mortes pela vacina quadrivalente, que cobre 70% dos casos.

Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, lamentou que a maioria dos casos seja diagnosticada em fase avançada, resultando em taxas de sobrevida baixas em países de baixa renda, inferiores a 20%, contra mais de 70% em nações desenvolvidas. Marcella Salvadori, coordenadora de Advocacy e Apoio do Paciente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos – EVA, reforçou as desigualdades regionais e a associação com vulnerabilidade social, destacando a vacinação contra o HPV como estratégia essencial, enquanto o câncer de ovário, de alta letalidade, carece de método de rastreamento eficaz.

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