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Saúde

Câncer de mama tem até 95% de chance de cura quando diagnosticado precocemente

Outubro Rosa alerta para a importância da mamografia e esclarece mitos sobre fatores de risco e prevenção da doença

Redação Jornal de Brasília

20/10/2026 15h20

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

O câncer de mama tem até 95% de chances de cura quando identificado em estágio inicial, segundo a oncologista clínica Patricia Espino, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), integrante da HU Brasil. Durante o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a doença, a especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e da disseminação de informações confiáveis sobre prevenção e tratamento.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 78 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. A doença é a mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. Diante dos números, a circulação de informações falsas sobre as causas, os sintomas e as formas de prevenção reforça a necessidade de orientação médica.

Entre os fatores que aumentam o risco da doença estão a obesidade, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo. Segundo Patricia Espino, a obesidade tem relação com diferentes tipos de câncer. Após a menopausa, o tecido adiposo também contribui para a transformação de hormônios em estrogênio, o que pode aumentar o risco de desenvolvimento de tumores mamários.

A amamentação, por outro lado, é considerada um fator de proteção. O aleitamento reduz o número de ciclos menstruais ao longo da vida e, consequentemente, a exposição a hormônios como o estrogênio, que pode estimular o crescimento de células tumorais. A especialista ressalta, no entanto, que essa proteção não elimina completamente o risco de desenvolver a doença.

O histórico hormonal também influencia a probabilidade de diagnóstico. Mulheres que menstruam antes dos 12 anos ou entram na menopausa após os 55 anos ficam expostas por mais tempo aos hormônios ovarianos, o que pode elevar o risco. A idade é outro fator importante, já que a incidência do câncer de mama aumenta a partir da quinta década de vida.

Autoexame e mamografia

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o autoexame substitui a mamografia. Embora seja importante conhecer o próprio corpo e perceber alterações nas mamas, o autoexame não demonstrou impacto na redução da mortalidade por câncer de mama e não substitui os exames de rastreamento indicados conforme a idade e a avaliação médica.

A identificação de um caroço também não significa, necessariamente, a presença de um tumor maligno. Muitos nódulos mamários são benignos e podem ser avaliados por exames de imagem, como ultrassonografia e mamografia. Os métodos diagnósticos ajudam a diferenciar lesões benignas de alterações suspeitas e a determinar quando uma biópsia é necessária.

Mitos sobre a doença

A oncologista esclarece ainda que não há evidências científicas de que o uso de antitranspirantes ou sutiãs com aro provoque câncer de mama. Essas associações circulam frequentemente na internet, mas não possuem comprovação científica. O uso de peças apertadas pode causar dor e desconforto local, sem que isso signifique aumento do risco de câncer.

Embora seja mais frequente em mulheres, a doença também pode atingir homens. Mesmo menos desenvolvido, o tecido mamário masculino possui ductos que podem sofrer transformações malignas. A ocorrência é rara, mas fatores como obesidade, consumo de álcool, exposição hormonal e alterações genéticas podem contribuir para o risco.

Para Patricia Espino, a conscientização e o acompanhamento médico são fundamentais para ampliar as possibilidades de diagnóstico precoce. A adoção de hábitos saudáveis, a atenção às alterações nas mamas e a realização dos exames recomendados ajudam a fortalecer as estratégias de prevenção e detecção da doença.

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