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Saúde

Bruxismo durante o dia: você pode ter e nem perceber

Associado ao sono, o comportamento também ocorre enquanto estamos acordados e pode envolver tensão nos músculos da mastigação mesmo sem apertar ou ranger os dentes

Redação Jornal de Brasília

28/10/2026 16h10

colagem médica sobre tensão mandibular

Bruxismo não acontece apenas durante o sono. No trabalho, no trânsito ou diante do celular, uma pessoa pode apertar os dentes ou manter os músculos da mastigação contraídos sem perceber. É o chamado bruxismo em vigília, que ocorre enquanto estamos acordados e pode existir mesmo sem contato entre os dentes. Dor nas têmporas e cansaço no rosto ao fim do dia estão entre os sinais que merecem atenção.

Uma revisão publicada no Journal of Clinical Medicine, em 2024, estimou a prevalência global do bruxismo em vigília em 23%, ante 21% durante o sono. Embora os resultados variem conforme a população e os métodos de avaliação, os dados reforçam que esse comportamento está longe de se restringir à hora de dormir. 

O interesse pelo tema é expressivo na capital federal. Segundo levantamento da Dental Speed, Brasília lidera o ranking nacional proporcional de buscas relacionadas ao bruxismo no Google. Entre julho de 2025 e julho de 2026, foram cerca de 44 mil pesquisas no Distrito Federal. O volume mostra a procura por informações, mas não corresponde ao número de pessoas com o comportamento.

Segundo o dentista Guilherme Melão, especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, o bruxismo é um comportamento ligado ao funcionamento do sistema nervoso e à atividade dos músculos da mastigação. 

“Olhar apenas para o apertamento ou o ranger dos dentes deixa parte dessa história de fora. A sensação de “mandíbula tensa” vem dos músculos que a movimentam, especialmente o masseter, na lateral do rosto, e o temporal, na região das têmporas. Eles podem permanecer contraídos mesmo sem contato entre os dentes. Quando essa contração se repete ou se prolonga, pode haver sobrecarga muscular”, explica. 

Ainda de acordo com o especialista, dor nas têmporas, cansaço na face e desconforto ao mastigar podem aparecer ou se intensificar no fim da tarde e no início da noite. Esses sinais merecem avaliação, mas não bastam para identificar a causa. “Não podemos atribuir toda dor ao bruxismo. É preciso examinar o paciente, ouvir suas queixas e entender sua rotina”, ressalta Melão.

Por que isso acontece?

O bruxismo envolve diferentes fatores e é regulado principalmente pelo sistema nervoso central. Durante o dia, estresse, ansiedade, momentos de concentração e hábitos cotidianos podem favorecer o aumento da atividade muscular. À noite, os mecanismos estão mais ligados à regulação do sono, à atividade cerebral e às respostas involuntárias do organismo.

Segundo o especialista, outra ideia precisa ser desfeita: dentes tortos ou a chamada “mordida errada” não são reconhecidos como causas de bruxismo nem de disfunção temporomandibular, a DTM.

Apesar de frequentemente confundidos, bruxismo e DTM são diferentes. O primeiro é um comportamento muscular. A DTM reúne problemas que afetam os músculos da mastigação, as articulações que ligam a mandíbula ao crânio e as estruturas ao redor. O bruxismo pode atuar como fator de risco ou contribuir para o aparecimento ou a piora desses problemas em algumas pessoas, mas essa relação não é inevitável.

Nem todo bruxismo precisa de tratamento

A necessidade de cuidado depende das consequências e dos riscos identificados na avaliação, como dor, fadiga muscular, DTM, desgaste ou fraturas nos dentes.

O acompanhamento pode envolver dentista, fisioterapeuta e psicólogo, conforme as necessidades de cada pessoa. Para quem apresenta o comportamento durante o dia, uma das estratégias é reconhecer os momentos de contração e aprender a relaxar a musculatura, com orientação e lembretes pontuais.

“A proposta não é passar o dia fiscalizando a boca. É perceber um esforço que antes acontecia sem ser notado e procurar avaliação quando ele começa a causar desconforto ou prejuízos”, conclui o especialista. 

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