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Saúde

Brasil lidera consórcio com Oxford para vacinas contra o câncer

O Ministério da Saúde firmou parceria com a Universidade de Oxford para estimular o sistema imunológico contra tumores, com foco em produção local e ensaios clínicos no país.

Redação Jornal de Brasília

16/04/2026 18h49

O Ministério da Saúde do Brasil firmou parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, para desenvolver vacinas capazes de estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. A iniciativa visa criar imunizantes voltados ao diagnóstico precoce e à prevenção da doença, similar à vacina contra o HPV já oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diferentemente dos tratamentos atuais, como radioterapia e quimioterapia, que podem afetar células saudáveis, essas vacinas atuam orientando as defesas do corpo para identificar tumores previamente invisíveis. A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Fernanda De Negri, destacou que os esforços buscam um modelo de tratamento mais preciso e menos invasivo, priorizando a qualidade de vida dos pacientes.

Entre os projetos em estágio avançado está a pesquisa contra o vírus Epstein-Barr (EBV), associado a linfomas e tumores nasofaríngeos. O Brasil participará da produção local da vacina em grau clínico e conduzirá o primeiro ensaio clínico de fase inicial global para o EBV. O diretor do Centro de Imuno-Oncologia da Universidade de Oxford, Timothy Elliott, enfatizou que a parceria amplia as pesquisas sobre a resposta imunológica ao câncer, beneficiando especialmente a população brasileira e latino-americana, cujos dados são sub-representados em estudos internacionais.

O acordo foi assinado em dezembro do ano passado entre a SCTIE/MS e o Centro de Imuno-Oncologia de Oxford. A colaboração estrutura-se em três pilares: avanço de descobertas em imunologia e oncologia; uso de inteligência artificial para vacinas personalizadas; e aceleração de ensaios clínicos.

Para fortalecer o ecossistema de inovação, o Ministério da Saúde mobilizou instituições nacionais, incluindo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e hospitais vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). O primeiro encontro presencial da rede ocorreu durante o evento Diálogo em Saúde Brasil – Reino Unido, no Rio de Janeiro. Visitas técnicas foram realizadas em São Paulo, no CNPEM, em Campinas, e no Hospital A.C. Camargo Cancer Center.

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