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Saúde

Anvisa anuncia monitoramento ativo de efeitos colaterais de canetas emagrecedoras

A agência reguladora implementará um plano proativo para identificar riscos associados aos medicamentos agonistas do GLP-1, em resposta ao aumento de uso irregular e produtos falsificados.

Redação Jornal de Brasília

06/05/2026 17h54

Foto: Lasca e Catedral Laboratório/Divulgação

Foto: Lasca e Catedral Laboratório/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (6), um Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar proativamente os efeitos colaterais das chamadas canetas emagrecedoras. Esses medicamentos, agonistas do receptor do GLP-1, são indicados para o tratamento de diabetes e obesidade, mas têm sido usados cada vez mais para fins de emagrecimento não aprovados na bula.

A iniciativa representa uma mudança na estratégia da agência, passando de um modelo reativo, baseado em relatos voluntários de pacientes e médicos, para um monitoramento sistemático em parceria com estabelecimentos de saúde. O foco é identificar eventuais complicações decorrentes do uso desses remédios.

De acordo com o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a medida responde ao crescimento expressivo do consumo dessas canetas e ao aumento de eventos adversos no Brasil. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados aos medicamentos, com predominância de casos associados à semaglutida, especialmente em 2025.

Campos destacou que o uso expandido para situações fora das indicações aprovadas frequentemente ocorre sem acompanhamento clínico adequado, o que eleva os riscos. Além disso, a demanda tem impulsionado a circulação de produtos falsificados, manipulados em condições inadequadas ou de procedência desconhecida. A venda de medicamentos irregulares é crime previsto no artigo 273 do Código Penal.

“Medicamentos falsificados ou sem garantia de origem representam um risco sanitário gravíssimo. Não há como assegurar esterilidade, qualidade, dosagem ou eficácia, o que pode expor pacientes a eventos adversos sérios e a danos irreversíveis”, alertou o diretor durante a 7ª reunião pública da diretoria da agência.

O plano é um desdobramento de ações anunciadas no início do mês passado, com ênfase no monitoramento pós-venda e no fortalecimento da farmacovigilância. O monitoramento conta com a participação voluntária da Rede Sentinela, composta por serviços de saúde, estabelecimentos de ensino e pesquisa, serviços de assistência farmacêutica, laboratórios clínicos e de anatomia patológica. A ação também envolve a HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Ebserh), que reúne hospitais universitários em todo o país.

Adicionalmente, há um acordo de cooperação com a Polícia Federal para ações conjuntas contra produtos irregulares. “A iniciativa está aberta à adesão de outros hospitais com capacidade técnica e compromisso com a qualificação das notificações à vigilância sanitária e com a segurança do uso de medicamentos”, explicou Campos.

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, enfatizou a necessidade de uma atuação firme e coordenada. “Não podemos apenas esperar que as notificações cheguem à agência. É preciso organizar junto aos serviços de saúde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações recebidas e ampliar nossa capacidade de análise dos riscos associados ao uso destes medicamentos”, defendeu.

Campos reforçou que é na fase pós-comercialização que riscos raros, tardios ou associados a situações específicas de uso se manifestam. “Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real”, argumentou, alertando que a sociedade não pode permitir que o entusiasmo com a inovação obscureça os riscos do uso indiscriminado.

Com informações da Agência Brasil

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