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Saúde

Agosto Branco alerta para riscos do tabagismo e avanço dos cigarros eletrônicos

Apesar de o Distrito Federal ter percentual de fumantes abaixo da média nacional, especialistas reforçam que cigarro convencional e vape representam riscos à saúde

Redação Jornal de Brasília

25/08/2026 15h19

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O câncer de pulmão continua entre as doenças que mais matam no mundo e tem como principal fator de risco o tabagismo. Embora grande parte dos casos possa ser evitada, o consumo de produtos derivados do tabaco ainda atinge milhões de pessoas. No Brasil, 11,5% dos adultos das capitais brasileiras fumam, segundo dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde. No Distrito Federal, o índice é de 8%, abaixo da média nacional, mas ainda representa milhares de pessoas expostas diariamente ao principal fator de risco para a doença.

A preocupação ganhou uma nova dimensão nos últimos anos com a popularização dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, principalmente entre adolescentes e adultos jovens. A campanha Agosto Branco busca ampliar a conscientização sobre a doença e reforçar que abandonar o cigarro, em qualquer de suas formas, continua sendo uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de câncer de pulmão.

Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro deste ano para o triênio 2026-2028, o Brasil deverá registrar aproximadamente 32 mil novos casos de câncer de pulmão por ano. Desse total, cerca de 18 mil devem ocorrer em homens e 14 mil em mulheres. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a doença permanece entre as principais causas de morte por câncer no país.

Cigarro

As evidências científicas apontam o tabagismo como a principal causa do câncer de pulmão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 85% dos casos estão diretamente relacionados ao consumo de produtos derivados do tabaco.

O risco não se limita aos fumantes. Pessoas expostas regularmente à fumaça do cigarro também podem desenvolver a doença. Outros fatores, como exposição ocupacional ao amianto, à sílica, ao arsênio e ao gás radônio, além da poluição atmosférica e do histórico familiar, também podem contribuir para o surgimento do tumor.

Embora o Brasil seja considerado referência internacional nas políticas de controle do tabagismo, os números mostram que o problema permanece relevante. De acordo com o Vigitel 2024, 11,5% dos adultos das capitais brasileiras ainda fumam. No Distrito Federal, são 8%.

Vape

A popularização dos cigarros eletrônicos trouxe um novo desafio para as políticas de prevenção. Os dispositivos passaram a ser divulgados como uma alternativa supostamente menos prejudicial ao cigarro convencional, mas essa percepção não encontra respaldo suficiente nas evidências científicas.

Dados do Vigitel 2024 indicam que 4,4% dos adultos das capitais brasileiras utilizam cigarros eletrônicos diariamente ou ocasionalmente, enquanto 8,4% afirmam já ter experimentado os dispositivos. Entre pessoas de 25 a 34 anos, a taxa de experimentação chega a 15,2%.

Mesmo com a comercialização proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os dispositivos eletrônicos para fumar continuam sendo encontrados com facilidade no mercado brasileiro e conquistaram espaço principalmente entre adolescentes e adultos jovens.

O aerossol produzido pelos aparelhos não é composto apenas por vapor de água. Estudos científicos apontam a presença de nicotina, metais pesados, compostos orgânicos voláteis e outras substâncias potencialmente tóxicas. A exposição pode provocar inflamação pulmonar, danos às vias respiratórias e dependência química.

A oncologista da Rede Américas e integrante da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gabrielle Scattolin, alerta para o risco da falsa sensação de segurança associada aos dispositivos.

“O maior perigo do vape é fazer as pessoas acreditarem que ele é inofensivo. Não é.”

Segundo a especialista, o uso do cigarro eletrônico pode manter a dependência da nicotina e expor os pulmões a substâncias tóxicas associadas a doenças graves.

Câncer de pulmão

Outro desafio relacionado à doença é a dificuldade de identificação nos estágios iniciais. Em muitos casos, o câncer de pulmão evolui sem apresentar sintomas claros até alcançar fases mais avançadas.

Entre os principais sinais de alerta estão tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem causa aparente, cansaço excessivo e presença de sangue no escarro. Os sintomas devem ser avaliados por um profissional de saúde, especialmente quando aparecem em fumantes e ex-fumantes.

Para pessoas com histórico prolongado de tabagismo, o diagnóstico precoce pode aumentar as possibilidades de tratamento. A tomografia computadorizada de baixa dose pode identificar tumores ainda pequenos em grupos considerados de maior risco.

“O câncer de pulmão costuma evoluir sem dar sinais nas fases iniciais. Em pessoas com longo histórico de tabagismo, a tomografia computadorizada de baixa dose pode identificar tumores ainda pequenos, quando as chances de cura são significativamente maiores”, afirma Gabrielle Scattolin.

Prevenção

Os avanços da oncologia ampliaram as possibilidades de tratamento do câncer de pulmão. Além da cirurgia, pacientes podem ser submetidos a terapias-alvo, imunoterapia e outras abordagens personalizadas, que contribuem para o controle da doença e para a qualidade de vida.

Ainda assim, a prevenção permanece como a estratégia mais eficaz. Parar de fumar reduz progressivamente o risco de câncer de pulmão e também diminui a possibilidade de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e respiratórias.

A adoção de hábitos saudáveis, a prática regular de atividade física e a procura por avaliação médica diante de sintomas persistentes também fazem parte das medidas de prevenção.

“Hoje conhecemos a principal causa do câncer de pulmão e sabemos que ela pode ser evitada. Escolher não fumar, seja cigarro convencional ou eletrônico, continua sendo uma das decisões mais importantes para proteger a saúde. A prevenção ainda salva mais vidas do que qualquer tratamento”, conclui a oncologista.

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