Hoje internado no Hospital de Base, mas detido, o vereador Marco Prisco (PSDB) corre risco de morte, afirmam seus defensores. Prisco foi preso no dia 18 de abril, na Bahia, acusado de crime contra a Segurança Nacional, após liderar greve dos policiais militares no estado.
Na tentativa de tirá-lo da cadeia e evitar que o parlamentar volte para a Papuda, o grupo procurou o distrital Wellington Luiz (PMDB) para interceder junto aos órgãos de direitos humanos, que não têm respondido aos apelos. Eles dizem que o retorno a prisão será sua sentença de morte.“Eles me procuraram depois de diversas denúncias sobre a forma como vem sendo conduzido o caso. Procuraram tanto a Comissão de Direitos Humanos da Presidência da República, quanto da Câmara Legislativa e não obtiveram respostas”, conta o deputado. “Se não denunciarmos e o Prisco morrer, as polícias do País vão incendiar o mundo”, alerta Wellington.
Questão de estratégia
Para o distrital, a prisão do vereador não é motivada por crimes de segurança pública, como afirma o Ministério Público Federal, mas por questões políticas. “A estratégia do Governo Federal está errada. Com a prisão tenta-se evitar que os movimentos ganhem força e, ao mesmo tempo, intimidá-los. Se esses movimentos tivessem organização teriam colocado fogo no Brasil”, diz.
Wellington Luiz vê com espanto a forma como Prisco tem sido tratado pela Justiça. “Por mais que possa ter havido excessos, causa espanto a forma como vem sendo tratado, pois está incomunicável. Parece que, quando o cara é policial, é tratado pior do que bandido”, afirma.
O isolamento de Prisco não permite que seja visitado nem por parentes ou por políticos, como ocorreu com o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que foi impedido de falar com o parlamentar .
A sargento Angélica Machado, da Polícia Militar do DF, afirma que Prisco não está em seu estado normal. Acredita que ele venha recebendo medicações fortes, que o deixam fora de si. Mesmo assim, Angélica afirma que ele está algemado à cama.
Operação foi cinematográfica
O advogado da Associação do Policiais e Bombeiros Militares da Bahia (Aspra), Edson Melo, conta que, quando a greve foi considerada ilegal, o movimento já havia sido encerrado e que a prisão de Prisco ocorreu em condições cinematográficas. “Eles usaram cinco viaturas, um helicóptero, e estavam fortemente armados. Para transportá-lo usaram até um avião da Força Aérea Brasileira, tudo na frente da família dele e sem necessidade, pois caso se tivessem se identificado ele mesmo estenderia a mão para ser algemado”, afirma Melo.
Para o deputado Wellington Luiz, o governo não quer que os movimentos, como o que ocorreu na Bahia e mais recentemente em Pernambuco, se espalhem pelo País, especialmente no período da Copa do Mundo. Porém, em outros estados, como o Mato Grosso, policiais já têm se organizado e ameaçam greves esse período.
A sargento Angélica diz que Prisco tem representatividade nacional e que sua prisão coloca em risco outros movimentos. “Como policial vejo que qualquer um poderá ser preso se reclamarmos nossos direitos”
O relator do processo no Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski analisa o relatório médico da junta médica para determinar se Prisco terá aceita a prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República analisa se Prisco será transferido para presídio de Rondônia.
No contra-ataque
A sargento Angélica afirma que Brasília sediará, no próximo dia 21, o 1º Alerta Nacional, com o objetivo de reivindicar direitos dos policiais militares.
O grupo vai levar o caso de Marco Prisco a organismos internacionais e a outros países para que eles intercedam contra a prisão do parlamentar. Eles afirmam ainda que tanto políticos quanto o próprio PSDB, partido de Marco, não quiseram interferir na questão.