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Política & Poder

Uso de fake news amplia guerra de decisões no TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, chamou representantes de ambas as partes para discutir o tema

Redação Jornal de Brasília

13/10/2026 5h57

kassio nunes marques

Foto: Luiz Roberto/TSE

O disparo de fake news pelas campanhas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) acirraram a guerra de decisões judiciais envolvendo a eleição presidencial deste ano.

A estratégia de criar e compartilhar informações falsas deixou de ser restrita a páginas apócrifas e a militantes desconhecidos para ser colocada em prática por canais oficiais das campanhas e pelo entorno de Lula e Flávio.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, chamou representantes de ambas as partes para discutir o tema, nesta terça-feira, 13.

As peças de desinformação lançadas pelos aliados de Lula tentam vincular o adversário a um suposto compromisso de encerrar programas sociais e até acabar com aposentadorias. As de Flávio tentam atribuir ao petista um vínculo direto com facções criminosas e exploram falsas perseguições religiosas, como a de que Lula fecharia igrejas em um novo mandato.

O capítulo mais recente das brigas no TSE se deu ao redor do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), com 3,7 milhões de integrantes.

A campanha de Flávio alegou que o canal dissemina informações falsas já atacadas pela Justiça Eleitoral. Entre as oito publicações citadas no pedido de derrubada, a que dizia que Flávio Bolsonaro pretendia tirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Nunes Marques determinou a retirada do canal do ar por vislumbrar “utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos”.

No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Vilas Bôas Cuêva, reverteu a decisão. Para o ministro, houve “insuficiência dos elementos probatórios disponíveis para justificar restrição tão abrangente”.

Nunes Marques, então, encomendou uma análise da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE sobre o canal. O núcleo técnico disse que não encontrou informação falsa, mas alertou para riscos que o canal representa para o processo eleitoral.

Os dois candidatos reclamaram de interferências e de serem alvos de informações falsas por parte do concorrente.

“Já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, disse Lula, no domingo, 11. “Espero que a Justiça Eleitoral seja mais ágil, porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa”, afirmou Flávio.

O festival de fake news

A disputa sobre os conteúdos do “Exército do Lula” são mais um capítulo da guerra de versões falsas e enganosas sobre os adversários neste segundo turno.

Os apoiadores de Lula disseminaram vídeos e cards nas redes sociais dizendo que o adversário vai acabar com o Pix, com a aposentadoria, com o 13º salário e com programas sociais. A militância lulista compartilhou vídeos modificados com Inteligência Artificial para disseminar essas versões.

Flávio Bolsonaro não fez declarações neste sentido e elas também não constam no plano de governo dele. A campanha afirmou que pretende reanalisar reformas da Previdência e do Trabalho, mas não detalhou medidas.

Entre os alvos de decisão do TSE contra fake news, publicações da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

A mulher de Lula divulgou vídeo que dizia que uma vitória de Flávio significaria o fim do programa Farmácia Popular, o avanço do crime organizado no País e, ainda, a possibilidade de uma nova pandemia. Nunes Marques entendeu que as afirmações “não estavam acompanhadas de evidências mínimas”.

O entorno de Lula também tem associado Flávio a um suposto plano de implantar uma escala 7×0 que acaba com dias de descanso. A versão surge da crítica feita pelo senador à proposta de acabar com a escala 6×1, defendida pelos governistas e que está em vias de ser votada no Senado com forte carga eleitoral.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) foram alguns dos aliados próximos de Lula que compartilharam a informação sobre Flávio.

O vice-presidente do TSE, André Mendonça, mandou remover as publicações por entender que cabe a intervenção da Justiça Eleitoral quando há indícios de divulgação de “fato sabidamente inverídico ou de descontextualização grave capaz de enganar o eleitor”.

Em reação ao “Exército do Lula”, no WhatsApp, a campanha de Flávio Bolsonaro criou o canal “Tropa do Flávio”, no mesmo aplicativo de mensagens, que já tem mais de 1,4 milhão de membros.

O canal divulgou vídeo de “militantes usando substâncias supostamente ilícitas em manifestação”, no dia em que apoiadores de Lula se reuniram para ato na Avenida Paulista. O vídeo em questão não foi gravado no Brasil e circulava nas redes desde a véspera. Na noite de segunda-feira, o TSE determinou que Flávio, Carlos Bolsonaro e Pablo Marçal apagasse postagens com o conteúdo falso.

Os aliados de Flávio também disseminaram informações falsas sobre suposta perseguição de Lula a cristãos. O próprio Flávio Bolsonaro compartilhou publicações que diziam “Lula não feche minha igreja”.

A versão falsa de que Lula poderia perseguir pessoas religiosas ganhou tração nas redes sociais após o resgate de publicações antigas da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), na qual ela criticava evangélicos. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais aliados dos Bolsonaros nas redes, foi um dos que compartilharam a versão.

Flávio também usou IA para simular a imagem de Lula em situação inexistente e associou o petista a facções criminosas. Esses conteúdos oficiais da campanha também foram removidos por ordem do TSE.

Cotado para um ministério de Flávio Bolsonaro, o influenciador Pablo Marçal compartilhou vídeo que mostraria Lula amassando uma bandeira do Brasil e a jogando no chão depois de votar, no primeiro turno. O conteúdo foi editado. “Ele tem desprezo pela nossa nação”, escreveu Marçal. O presidente, na verdade, dobrou a bandeira e a entregou a um assessor. O TSE determinou a remoção dos posts.

Estadão Conteúdo

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