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Política & Poder

Uma Câmara só de distritais sem voto

Arquivo Geral

02/04/2018 22h07

Divulgação

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Nestes tempos de eleitores revoltados com a política, os partidos apostam em uma nova estratégia para a composição das nominatas para deputado distrital. Ao invés de investir em medalhões com ampla votação, mandato no bolso e possibilidade de puxar cadeiras, buscam personagens novos.

Muitas agremiações ainda impõem um teto de votação para proteger os pequenos dos tubarões eleitorais. No PTB, por exemplo, só aceitos nomes com menos de 10 mil votos em 2014. O PSDB impôs uma fronteira mais flexível de 12 mil votos.

Segundo o secretário-geral do MDB, deputado distrital Wellington Luiz, o partido do presidente Michel Temer adotou no Distrito Federal um modelo híbrido. Valorizará a reeleição da prata da casa, com a reeleição de Luiz e Rafael Prudente, na sequência tentará trazer três nomes de peso e protegerá os demais personagens novatos de pequeno porte.

A agremiação busca a filiação dos ex-deputados distritais Patrício e João de Deus, assim como do ex-secretário de saúde Rafael Barbosa. “Estamos vendo um grande movimento de protecionismo dos novos candidatos em todos os partidos”, comenta.

No PTB, os fortes não terão qualquer vez. Neste momento, o partido tem 40 novos nomes. Até o dia 7, limite para filiações, negocia a entrada de mais 10 personagens. “Nossa expectativa é eleger 3 novos deputados distritais. Vamos oxigenar a Câmara Legislativa”, promete o presidente regional do PTB e pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, Alírio Neto.

Na eleição passada, quando conduzia o PEN, Alírio executou a mesma estratégia. Após a abertura das urnas, conseguiu pavimentar a eleição de Luzia de Paula pelo partido, sendo que a parlamentar teve apenas 7.428 votos. Foi a 24ª posição no ranking dos candidatos. Hoje Luzia está no PSB. A coligação “Pra que eu vou” ainda levou Lira (PHS) para a Câmara, com 11.463 votos.

“Claro que depois que deu certo todo mundo quer copiar. Mas temos uma coisa que ninguém pode copiar: credibilidade. Dia 8, nenhum dos nossos pré-candidatos vai acordar com um tubarão do lado. Ninguém vai estar na cova dos leões”, argumenta. Neste ano, o PTB não fará coligação para distrital e deverá definir 48 nomes para as urnas, conforme a legislação eleitoral.

Alírio antecipa que a nominata distrital será um dos alicerces da campanha majoritária. “Essa nominata é que vai nos levar ao governo do DF”, reforça. Mas o protecionismo ao pequenos não é absoluto entre os partidos.
No caso do PSB, por exemplo, o fiel da balança, segundo o presidente regional Tiago Coelho, é o compromisso dos personagens com o governo Rollemberg.

Mudança de regra trava transferências

A mudança de postura dos partidos complicou os planos dos políticos interessados em migrar para outras legebdas antes das urnas. O deputado distrital Cláudio Abrantes, atualmente sem partido, avalia três propostas de filiação: PDT, PSDB e PPS. A indefinição das nominatas desequilibra a tomada de decisão.

O PDT seria um partido coerente com o mandato. No caso do PSDB, Abrantes nutre boas relações com o presidente regional Izalci Lucas. E o PPS é a agremiação natal do deputado, onde começou na vida pública.

Raimundo Ribeiro (PPS) também ainda não definiu o futuro. O parlamentar pondera entre ficar ou não no partido. Quatro convites estão na mesa de negociações. “É um momento muito importante. Tudo vai depender de uma nominata competitiva”, comenta.

Nos bastidores, comenta-se que Ribeiro teria sido sondado pelo PR, para a reeleição. Contudo a filiação da deputada distrital Sandra Faraj mudou o cenário. Faraj chegou por negociações nacionais, enquanto a chegada de Ribeiro estaria sob a tutela regional. A legenda já abriga Agaciel Maia e de Bispo Renato, ambos podendo tentar a reeleição.

Saiba Mais

O protecionismo dos novatos também tem gerado dificuldades para o deputado distrital Robério Negreiros (PSDB). O partido não dará legenda para quem tiver mais de 12 mil votos. Até agora Negreiros não encontrou um novo rumo. As últimas conversas em curso seriam com o PSD.
Cada pré-candidato do PTB faz parte da comissão eleitoral do partido, tendo poder de voto para aprovar ou não a entrada de novos nomes. O partido definirá os candidatos oficiais com base em pesquisas de desempenho.
O PTB terá 8 candidatos para deputado federal. Neste caso, o partido fará coligação.
A Frente Cristã, formada por PSD, PSDB, PRB, PMN, PSC, DC e Patriotas foi formada inicialmente com o objetivo de fazer alianças proporcionais para a deputado distrital e federal.

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