Eduardo Brito
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Contrariando os números indicados pelas pesquisas desde o início da campanha, mas correspondendo às apostas dos comandos do PSDB e do PT, José Serra e Fernando Haddad serão os principais protagonistas de uma batalha campal no segundo turno das eleições municipais. Estarão em jogo a sobrevivência política do candidato tucano em duas das três últimas eleições presidenciais e a grande cartada do ex-presidente Lula.
Além de São Paulo, outras 16 capitais terão segundo turno. Haverá confrontos em outros municípios importantes, como Campinas.
O controle da maior capital do País é considerado vital pelos dois partidos que polarizam o poder há quase duas décadas e que, se perderam muito terreno nas capitais após a votação de ontem, devem se enfrentar mais uma vez na luta pela presidência daqui a dois anos. O próximo passo será a busca de apoio. Nem Serra, nem Haddad saem da eleição paulistana com essa bola toda.
Ex-prefeito, ex-governador e presidenciável, Serra saiu das urnas de ontem com 31% dos votos, muito menos do que se imaginava. Haddad ficou com 29%, também abaixo do padrão histórico do PT na capital paulista e abaixo das projeções que se faziam para Marta Suplicy. Precisarão agora disputar voto a voto.
Já se sabe que o ex-presidente Lula participará intensamente da campanha. Foi ele quem escolheu Haddad e quem turbinou o PT durante toda a eleição paulistana. Contrariou-se com os resultados do Recife e de Belo Horizonte, onde os candidatos petistas foram derrotados apesar do seu empenho pessoal.
Inimigo pessoal
Essa não será, porém, a única frente de batalha a ganhar dimensão nacional. Lula fará de tudo para derrotar o ex-senador tucano Artur Virgílio, que o atormentou da tribuna durante seus dois mandatos. Conseguiu impedir que Artur se reelegesse, mas ele se candidatou agora a prefeito de Manaus. Lula congregou as principais forças do Amazonas contra ele, a começar pelo ex-governador Eduardo Braga, do PMDB, e o atual governador Omar Aziz, do PSD.
Mesmo assim, Artur Virgílio conseguiu mais de 40% dos votos e entra no segundo turno como franco favorito contra a senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, a candidata de Lula, que ficou com 20%. O ex-presidente já avisou que pretende ir a Manaus no segundo turno. Espera levar a presidente Dilma Rousseff com ele.
Também se pode esperar uma guerra de dimensão nacional em Salvador. O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, último grande remanescente do carlismo que controlou a Bahia, contrariou as pesquisas e chegou ao segundo turno em empate – empate mesmo, com uma diferença de 8 mil votos em 1,8 milhão, o correspondente a 0,6%, sobre o petista Nelson Pelegrino. É a última chance de sobrevivência do DEM.