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Política & Poder

Um debate constrangedor

Arquivo Geral

29/09/2010 1h00

Entre o triste e o constrangedor. Assim se pode avaliar o debate de ontem entre os quatro candidatos ao GDF, na Rede Globo. E por duas razões: 1ª) a presença de Weslian Roriz, visivelmente incomodada e insegura, respondendo às perguntas de forma imprecisa e, sempre que podia, evocando o marido; e 2ª) o extremo respeito com que os demais candidatos a trataram, temendo torná-la uma vítima – e assim perderem votos caso fossem naturalmente mais assertivos.

Se pudessem, os demais teriam ignorado Weslian porque sabiam da extrema dificuldade que ela enfrentaria pela falta de experiência em confrontos do gênero. Afinal, assumiu uma condição sem qualquer preparação para tal. Prova disso é que, no segundo bloco, quando deveria responder a Agnelo Queiroz sobre Transportes, fez outra pergunta que não tinha nada a ver com o tema – quis saber as razões pelas quais o PT fez várias expulsões no episódio do Mensalão, que geraram as bases do PSOL.

Salivando muito, Weslian começou sua participação respondendo a pergunta de Toninho do PSOL sobre crescimento populacional, ainda no primeiro bloco. Além de ler a resposta – sequer utilizou todo o tempo para dá-la –, pela primeira vez evocou Roriz ao dizer que o marido tinha transformado as favelas em cidades. No momento de perguntar, nova manifestação de inadaptação à condição de candidata: deveria se dirigir a Eduardo Brandão e tropeçou na ordem, ao indagar a Toninho.

Enquanto isso, Agnelo, Brandão e Toninho faziam um debate à parte, mais agressivo e voltado sobretudo para colocarem-se uns aos outros em má situação. O momento mais tenso foi quando o candidato do PV contestou a presença de Toninho no gabinete do senador José Nery (PA): insinuou que estava lotado no Senado de maneira irregular. O representante do PSOL respondeu no mesmo diapasão, só que menos alterado que Brandão.

Desta vez, Agnelo foi cobrado não apenas por Toninho, mas por Brandão, em relação à aliança que o PT fez com partidos considerados antagônicos. O petista teve dificuldades sobretudo em defender seu vice, quando foi indagado sobre a invasão da Novacap – Tadeu Filippelli é acusado de ter jogado o Batalhão de Choque da PM contra os grevistas e uma pessoa morreu.

Mas o formato do debate não permitia que a disputa fosse somente entre Agnelo, Brandão e Toninho. Assim, tinham de indagar a Weslian. A prova do desconforto foi na pergunta do candidato do PV sobre o tema corrupção. Ela ficou girando em torno da expressão “não vou permitir corrupção”, sem se aprofundar. Na tréplica, Brandão foi extremamente respeitoso, afirmando que Weslian sinceramente atuaria contra este mal que corrói o GDF, mas que não podia dizer o mesmo sobre seus futuros auxiliares.

Na hora de Weslian perguntar a Toninho, mais uma manifestação de despreparo: o assunto era gestão pública e ela quis saber sobre emprego. O candidato do PSOL consultou a moderadora sobre se deveria responder a algo que não se relacionava ao tema. Instada a reformular a pergunta, Weslian reagiu assim para Cristina Serra: “Qual foi o tema?”

No quarto bloco, Weslian quis saber de Toninho se ele condenava o fato de ela ter assumido a cabeça da chapa de Roriz. Habilidoso, o candidato do PSOL disse que a divergência dele com o ex-governador é programática e que não tinha absolutamente nada contra ela assumir substituir o marido.
O melhor momento de Weslian foi nas considerações finais. Um pouco mais à vontade, brincou com o cenário do debate, todo azul – cor da sua coligação. Em tom emocionado, disse que ela é quem mandará na própria gestão e que Roriz vai apenas auxiliá-la.

Confusão

Na porta da emissora, cerca de 500 militantes, entre petistas e rorizistas, se enfrentaram, logo depois que o casal Roriz chegou. Se atacaram com pedras e com os cabos das bandeiras. O carro de Brandão foi atingido por uma pedra e o vidro da frente foi destruído.
A PM estava no local e não conseguiu conter a confusão. O capitão-PM Lisângelo Sena da Costa explicou que o contingente era insuficiente (15), mas o efetivo foi reforçado e chegou a 40 no fim do evento. Segundo o coordenador do movimento rorizista, Osmar Portela, 15 militantes foram feridos. E acusou os petistas de iniciaram o tumulto.

 

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