O discurso de Bush foi fechado à imprensa, mas um pouco sobre seu conteúdo acabou sendo descoberto pelos jornalistas.
Um dos presentes na conferência disse à emissora canadense “CTV” que em seu discurso Bush reiterou que a decisão de invadir o Iraque foi acertada.
Além disso, o ex-presidente americano assegurou que seus assessores lhe advertiram no final de 2008 sobre o risco de os EUA entrarem em recessão, e por isso decidiu iniciar um pacote de resgate econômico de US$ 700 bilhões.
O discurso de Bush “não teve nada novo”, acrescentou a fonte, que opinou que o ex-presidente parecia estar “testando o circuito das conferências”.
Segundo a imprensa local, a Câmara de Comércio de Calgary e uma companhia de advogados da cidade pagaram US$ 100 mil a Bush para que discursasse a aproximadamente 1.500 empresários, que pagaram US$ 400, cada um, para assistir à conferência.
Enquanto Bush participava da conferência no centro de convenções da cidade, cerca de 500 pessoas protestavam nas cercanias do local.
Em entrevista coletiva, um porta-voz da Polícia informou que três pessoas foram detidas durante as manifestações, uma delas acusada de obstrução e de atacar um dos uniformizados da instituição.
Os organizadores do protesto informaram à imprensa que pretendiam utilizar uma maquina para atirar sapatos em uma imagem do ex-presidente americano, mas a Polícia não os concedeu permissão para isso.
Os manifestantes então atiraram com as mãos sapatos contra uma fotografia de grandes dimensões de Bush, repetindo o gesto do jornalista iraquiano Muntadhar al-Zaidi, que jogou seus sapatos contra o ex-governante americano em dezembro, durante uma entrevista coletiva em Bagdá.
A presença de Bush em Calgary também fez com que o grupo local Advogados Contra a Guerra solicitasse ao Governo canadense o processo do ex-presidente por crimes contra a humanidade e torturas.
Gail Davidson, uma das fundadoras do grupo de advogados canadenses, disse ontem à Agência Efe que a organização está trabalhando com juristas internacionais para iniciar ações legais contra Bush em outros países. EFE