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Política & Poder

Tidos como oposição a tudo, brancos e nulos nem entram na conta eleitoral

Arquivo Geral

10/08/2014 9h30

Depois dos protestos do ano passado e da onda do “não me representa”, um movimento em prol do voto nulo tomou conta das cidades brasileiras, principalmente por meio das redes sociais. A ideia é protestar contra as opções de candidatos que estão à disposição dos eleitores. Só que este tipo de voto não é contabilizado como válido, já que para a definição do quociente eleitoral, por exemplo, são considerados apenas os votos nominais e os de legenda. 

“A melhor forma de protestar é votando consicente”, opina Rodrigo Montezuma, um dos organizadores da Marcha Contra a Corrupção. “As pessoas têm a ideia de manifestar, mas elas não sabem o que estão fazendo”, define. 

Nas eleições proporcionais (para deputados e vereadores), o quociente eleitoral é definido pela divisão do número de votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis. Nas majoritárias (presidente da República, governador, prefeito e senador), são eleitos os que tiverem maioria de votos – no caso de presidente, governador e prefeito de cidades com mais de 200 mil eleitores, ganha quem tiver 50% dos votos válidos mais um. Nos cálculos eleitorais, os votos em branco e os nulos são desconsiderados. Assim, quanto maior o número de votos nulos e brancos, de menos votos os candidatos precisam para se elegerem. 

Montezuma diz que tem tentado convencer as pessoas a votarem. “Os votos nulos e brancos facilitam para quem está no poder ou para quem tem uma população votante expressiva, em função da categoria, cooptação, dependência financeira ou mesmo gratidão”, argumenta Montezuma.  “Votar é uma forma de dificultar para aqueles que já dominam uma certa população de votos, para que se esforcem mais e para que o pleito fique mais equilibrado, no sentido de distribuição dos votos”, continua.

Tucanos promovem campanha

A última pesquisa Ibope de intenções de voto para presidente da República mostra que 16% dos entrevistados declararam opção pelos votos brancos e nulos; as abstenções somam 9%. Preocupada com esse grande número de votos anulados, a campanha do presidenciável tucano Aécio Neves vai anunciar, em sua campanha eleitoral, adesão ao movimento #vempraurna, lançado pelo Tribunal Superior Eleitoral, para estimular as pessoas a não anularem o voto.
 
Os tucanos avaliam que as altas taxas de intenções de votos nulos e brancos, somadas às abstenções, podem favorecer a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). “Mudança não acontece com indiferença”, será o mote do movimento tucano que deve tomar conta das redes sociais nos próximos dias.
 
Para o candidato do PSB, Eduardo Campos, esses eleitores, a quem chamou de indignados, são “o grande fato novo da eleição”. “Quase 40% das pessoas que vão votar branco e nulo são as pessoas em busca não da opção, mas da escolha. As pessoas estão autorais”, discursou, o ex-governador de Pernambuco. 
 
Grande número de indecisos
 
Para o cientista político Paulo Kramer, os  eleitores que dizem agora que vão anular os votos  são os indecisos, que opinam assim porque ainda não começaram as propagandas na TV, quando a maioria do eleitorado tem oportunidade de conhecer realmente os candidatos.
 
 “A essa altura da campanha eleitoral, é normal que você tenha um número relativamente grande de pessoas afirmando que votarão branco ou nulo”, explica Kramer. “Quando chegarmos mais perto da eleição, esse percentual vai diminuir e ainda vai ser maior do que o das urnas”, completa.
 
Paulo Kramer refuta a ideia de analistas políticos que acreditam que nestas eleições o número de votos anulados será maior que a média de 9% a 12% de anos anteriores, em função do descontentamento político, manifestado nos protestos do ano passado. Ele se diz cético. “Eu acho que nós acabaremos tendo a média dos últimos anos”, afirma.
 
Benefício aos rejeitados
 
Ele explica que os votos nulos e brancos podem beneficiar os candidatos com grande índice de rejeição. Na opinião do cientista político, é natural que partidários de governantes com dificuldade de reeleição, por exemplo, façam campanha para que as pessoas anulem os votos, ao invés de votarem em outro candidato. “Nesse caso, é melhor que não votem em ninguém”, argumenta o especialista.
 

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