O primeiro vice-presidente do Senado, illness Tião Viana (PT-AC), disse hoje que o governo federal “terá que ter humildade” para negociar com a oposição a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da CPMF, se quiser aprová-la na Casa. O senador considera que apenas os votos da base do governo são insuficientes para garantir a prorrogação da contribuição até 2011.
Amanhã, os partidos da base governista discutem como serão conduzidos os trabalhos na Casa depois do arquivamento do pedido de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros. A preocupação, segundo Tião Viana, é que a determinação do Democratas e do PSDB de obstruírem as votações enquanto Renan estiver na presidência inviabilize votações importantes como a prorrogação da CPMF. Tião Viana não acredita que os debates sobre a CPMF esfriarão os processos de investigação a serem conduzidos pelo Conselho de Ética. “A crise está em plena ebulição, de jeito nenhum”, disse ao ser indagado sobre a possibilidade.
Estão no Conselho de Ética outras duas representações contra o presidente do Senado: a que trata de uma suposta ingerência junto a órgãos federais para beneficiar a cervejaria Schincariol e outra de que teria utilizado “laranjas” para comprar veículos de comunicação em Alagoas.
Na semana passada, em viagem ao exterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que assim que chegasse ao Brasil teria uma conversa com Renan Calheiros para discutir a votação de matérias importantes para o governo, entre elas a CPMF. Perguntado sobre o assunto, Tião Viana disse apenas que a conversa deve ser uma “reflexão” do momento político vivido pela Casa e a necessidade de se aprovar a CPMF.
“Eu não posso prever qual a conduta que o presidente Lula terá com Renan Calheiros. O que eu acredito é que o diálogo entre os dois imporá uma reflexão sobre a gravidade da situação que vive o Senado, a necessidade de 49 votos para aprovar a CPMF e ao mesmo tempo a responsabilidade que eles têm em preservar e valorizar a base do governo que envolve, também, a figura do senador Renan”, afirmou o primeiro vice-presidente do Senado.