Para evitar erros comuns cometidos em gestões passadas, o Tribunal de Contas do DF convidou o primeiro escalão do governo de Rodrigo Rollemberg para apresentar uma série de problemas diagnosticados ao longo dos últimos anos. O objetivo é evitar que os equívocos recorrentes continuem a ser cometidos pela atual gestão. Os principais secretários – a exemplo de Hélio Doyle (Casa Civil) e Leany Lemos (Planejamento) – e a procuradora-geral do DF, Paola Aires Corrêa Lima, estavam entre os presentes no seminário, ontem, no Tribunal.
Entre outros, problemas que persistem desde 2007 foram listados no relatório distribuídos aos secretários e aos administradores regionais. Na relação, os pontos críticos foram divididos por áreas estratégicas, como segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, contratações públicas, impropriedades em obras e serviços de engenharia, tecnologia da informação e comunicação, fiscalização de pessoal e contas anuais e especiais.
A ideia, segundo o presidente do TCDF, Renato Rainha, é mostrar o erro, para que os gestores se antecipem, e, assim, evitem que o Tribunal se ocupe de “miudezas” e centre em coisas mais importantes. Ele ressaltou que pretende trabalhar em parceria com a nova gestão, para “prevenir o erro”. E para que as ações do governo sejam adotadas dentro da legalidade, ele diz. “Queremos dar agilidade e eficiência ao governo”, comentou.
Parceria
Que o governo resolva os problemas antigos, de uma vez por todas, é o que deseja Rainha. Para ele, a equipe de Rollemberg preocupa-se em acertar. “E o Tribunal vai ser parceiro”, garantiu.
O relatório do Tribunal de Contas mostra que, em muitos casos, os problemas de governos anteriores passaram longe de terem raiz na falta de recursos. A má gestão foi o principal deles.
Especificamente sobre a gestão do ex-governador Agnelo Queiroz, o presidente do Tribunal diz que existem vários processos de várias pastas em que são apurados desvios de recursos. Mas não há decisões definitivas, ele diz, porque estão no prazo de ampla defesa.
“O mais impactante da última gestão são as contas anuais de 2014, que serão julgadas em julho, em que o Tribunal vai expedir seu entendimento se houve, no último ano da gestão, o então governador cumpriu ou não a lei”, apontou Renato Rainha.
Ineficiência está enraizada, diz secretário
A má gestão já está na raiz do serviço público do Distrito Federal, reconhece o chefe da Casa Civil, Hélio Doyle. “Existe uma cultura, que não vai ser substituída de um dia para o outro. Muitas pessoas que estão no governo estão imbuídas de uma cultura antiga, que tem que ser transformada”, aponta.
A exemplo de Doyle, primeiro escalão do GDF compareceu em peso. Secretários e administradores, bem como seus assessores, lotaram o plenário do Tribunal de Contas, na tarde de ontem. “Esta é uma boa oportunidade para aprender”, disse o chefe da Casa Civil, em sua fala inicial aos presentes. “A intenção é que não cometamos os erros que já foram cometidos. Errar uma vez, acontece; duas vezes, já é burrice”, resumiu Hélio Doyle.
Desafio
O governo Rollemberg, ele disse, “pretende fazer tudo certo”. Por este motivo, atenderam, em peso, ao chamado do Tribunal. “Não pretendemos fazer superfaturamento de preços, não pretendemos beneficiar ninguém”, garantiu.
Acabar com os problemas que já fazem parte da rotina do governo há anos será um dos principais desafios, segundo ele. “Toda estrutura muito consolidada, muito firmada, não cai facilmente. É tão forte, que não podemos mudar radicalmente, de uma hora para outra”, opinou.