Menu
Política & Poder

Tarcísio sinaliza antecipar inauguração da linha-6 do metrô para campanha de reeleição

Ele respondia a uma pergunta sobre qual garantia o morador do ABC Paulista teria de que o metrô vai chegar lá até 2033, quando Tarcísio falou sobre cronograma de obras e citou a linha 6-laranja.

Redação Jornal de Brasília

19/05/2026 19h46

tarcisio1

Foto: Pablo Jacob/ Governo do Estado de SP

FÁBIO PESCARINI E CARLOS PETROCILO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) sinalizou a antecipação da inauguração de trecho da linha 6-laranja do metrô para o próximo mês.


A indicação foi feita pelo próprio governador em entrevista na última sexta-feira (15), durante anúncio de um acordo para construção de um pátio da linha 20-rosa do metrô no terreno da antiga Fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Ele respondia a uma pergunta sobre qual garantia o morador do ABC Paulista teria de que o metrô vai chegar lá até 2033, quando Tarcísio falou sobre cronograma de obras e citou a linha 6-laranja.


“A gente está avançando na linha 2, se comprometeu com a linha 17 e entregamos, agora em junho a gente deve iniciar as operações da linha 6. No final do ano a gente vai ter a linha 6 já ligando a Brasilândia a Perdizes e, no ano que vem, a gente liga Perdizes a São Joaquim”, afirmou.


Pelo cronograma prometido pelo governo até então, essa primeira fase da nova linha de metrô seria entregue em outubro, em meio às eleições —Tarcísio vai tentar a reeleição. A exceção deve ser a estação Maristela, na região da Brasilândia (zona norte), que está com menos de 70% de obras concluídas e seria aberta já com a linha em andamento.


Por causa da legislação eleitoral, porém, Tarcísio só pode participar da inauguração de uma obra até 4 de julho (três meses antes do pleito), e esse seria um dos motivos para adiantar ao menos parte do funcionamento da linha.


A Secretaria de Comunicação do governo estadual foi questionada duas vezes por email sobre como será o novo cronograma, com possível início de operações da linha 6 no próximo mês, mas não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.


Também questionada, a Linha Uni, responsável pela construção do ramal e pela gestão da linha, em um contrato de 30 anos de PPP (parceria público-privada) e que tem a empreiteira Acciona à frente, disse apenas que não tinha informação para confirmar no momento.


Em texto divulgado nesta terça (19), a agência de notícias do governo disse que a construção da linha chegou a 81,5% de conclusão e que as estações Água Branca, Santa Marina e Perdizes estão com mais de 90% de obras prontas.


Sem citar data, disse que “o primeiro trecho a ser entregue vai da Brasilândia, na zona norte, até Perdizes, na zona oeste.”


Segundo pessoas ligadas ao projeto, há a possibilidade de os trens circularem entre as estações que ficarem prontas até o próximo mês. O restante dessa primeira fase, entre Brasilândia e Perdizes, ficaria para o fim do ano.


O segundo trecho, de Perdizes até São Joaquim, no centro, tem conclusão prevista para 2027. Ao todo, a nova linha contará com 15 estações.


Na semana passada, foi informado que até o início de maio os trens do novo ramal já haviam percorrido cerca de 3.000 km em 1.200 horas de testes.


Como mostrou a Folha de S.Paulo, no fim do ano passado, o governo Tarcísio autorizou um aditivo de quase R$ 3,7 bilhões no contrato para construção da linha 6-laranja para acelerar obras.


Quando pronta, a linha deve transportar 630 mil pessoas diariamente.


O projeto do ramal metroviário atravessou os governos do PSDB de José Serra, Geraldo Alckmin (hoje no PSB), João Doria e Rodrigo Garcia (ambos hoje sem partido), até a promessa de entrega de ao menos uma parte pela gestão Tarcísio.


Prometida inicialmente para começar em 2010, a obra sofreu uma série adiamentos e teve início efetivamente em 2015, com previsão de entrega em cinco anos depois. Porém, a construção acabou paralisada em 2016, sendo retomada em 2020 com a atual concessionária.


Houve ainda a interrupção inesperada de sete meses em parte dos trabalhos, quando uma cratera afundou o asfalto na marginal Tietê, em fevereiro de 2022, por causa do rompimento de uma tubulação de esgoto, que também inundou a tuneladora, conhecida como tatuzão, que fazia a escavação.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado