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Tarcísio ouve caminhoneiros e planeja se lançar até fevereiro ao Governo de SP

Hoje, o ministro diz a pessoas próximas que é pequena a margem para recuo no plano de entrar na briga pelo Palácio dos Bandeirantes

Por FolhaPress 08/12/2021 4h04
Foto: Alan Santos/ PR

MARIANNA HOLANDA E JULIA CHAIB
BRASÍLIA, DF

O ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) animou-se com o resultado de pesquisas de intenção de voto que indicam bom desempenho eleitoral na disputa pelo Governo de São Paulo e articula junto com Jair Bolsonaro (PL) lançar a chapa que encabeçará até fevereiro do ano que vem.

Hoje, o ministro diz a pessoas próximas que é pequena a margem para recuo no plano de entrar na briga pelo Palácio dos Bandeirantes. A ideia de Tarcísio ser candidato surgiu a pedido do mandatário, que gostaria de ter um nome de confiança no que considera ser o principal palanque do país.

Antes o auxiliar de Bolsonaro tinha dúvidas de aceitar o convite pelo medo de entrar na “missão” e ir “para o sacrifício” com poucas chances de ganhar, como diziam aliados de Bolsonaro, mas o cenário mudou após novos fatores entrarem na equação.

Tarcisio preferia brigar pelo Senado em Goiás, onde teria mais viabilidade eleitoral. Relutante, passou a considerar a candidatura em São Paulo após ouvir caminhoneiros, estivadores do Porto, operários da construção civil, políticos, banqueiros e outros especialistas, para medir os apoios que teria caso assumisse a empreitada de disputar o governo.

O que pega para o ministro, dizem aliados, é que ele não quer só servir de palanque para Bolsonaro na região, mas sim competir efetivamente pelo governo. A pessoas próximas ele diz que não entra em nada “mais ou menos” e que, se for para se candidatar, é para tentar ganhar.

Bolsonaro tem dito a interlocutores que não tem pressa em fechar chapa para São Paulo, maior colégio eleitoral do país e considerado estado-chave para sua reeleição em 2022. A ideia do mandatário é, junto com Tarcísio, lançar o ex-ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) para o Senado.

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A estratégia de lançarem só em fevereiro do ano que vem a chapa vai na contramão dos planos de seus aliados. Interlocutores do presidente e candidatos bolsonaristas defendem que o palanque seja montado ainda neste ano, para poderem organizar bases nos municípios.

Na avaliação do chefe do Executivo, tanto Tarcísio quanto Salles são amplamente conhecidos em São Paulo e isso daria segurança para eles se lançarem mais à frente e já chegarem bem posicionados na disputa. Confirmada a sua candidatura, Tarcísio só terá de se desincompatibilizar da pasta em abril, quando candidatos devem deixar cargos no governo.

Salles, que deixou o Meio Ambiente em junho, tem rodado o interior do estado, conversando com vereadores e prefeitos. Diferentemente de Tarcísio, cuja candidatura já foi aceita pela cúpula de partidos do centrão, o lançamento do nome de Salles ao Senado ainda enfrenta resistências no bloco.

A leitura de líderes dos partidos aliados de Bolsonaro é que os dois nomes não se agregam em uma chapa. Para eles, Salles não traria votos para impulsionar Tarcísio. Por isso, defendem que outra pessoa seja lançada no lugar. O ex-ministro é uma escolha pessoal do presidente, que quer nomes de sua confiança para garantir palanque nos mais de 600 municípios paulistas. Ainda que tenha deixado o governo, tem bom trânsito com a família Bolsonaro.

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Líderes do centrão ouvidos pela Folha dizem que Tarcísio já seria este nome de confiança e já representa a concessão das siglas e que, por isso, o ideal seria Bolsonaro ceder e deixar as legendas escolherem o candidato ao Senado. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, é citado como opção por ser conhecido pelo eleitorado paulista e por ser próximo de Bolsonaro.

Skaf é também lembrado dentro do PL por ter recall eleitoral, e é visto como uma alternativa que poderia se viabilizar em uma chapa com Tarcísio. Em 2018, ele concorreu ao governo do estado pelo MDB e ficou em terceiro lugar. Entre os potenciais candidatos ao governo de São Paulo estão o ex-governador Geraldo Alckmin (de saída do PSDB) e o atual vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), que deve assumir o estado em abril, com a saída de João Doria para a disputa ao Palácio do Planalto.

Ainda que Garcia tenha boa capilaridade no estado e fique no controle da máquina, ele aparecia atrás de Tarcísio nos levantamentos mais recentes. Na pesquisa, do Ipespe para governo de São Paulo, divulgada no último dia 3, Tarcísio aparece com 8% a 13% de intenção de votos. No cenário em que pontua apenas um dígito, fica atrás de Alckmin, Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL).

Sem os dois primeiros colocados, apenas com Boulos e Márcio França (PSB), Tarcísio sobe para 3º colocado, com 10%. E, no melhor dos cenários para o ministro, ele empata com Boulos no segundo lugar, com 13%, e Haddad aparece na liderança.

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Aliados se animaram na pesquisa ao lembrar que Tarcísio não é figura tão conhecida no estado como os demais, nunca disputou eleição, então teria margem para avançar ainda. O Ipespe foi realizado entre 29 de novembro e 1º de dezembro, a pedido do jornal Valor Econômico, e ouviu mil eleitores por telefone.

Aliados de Tarcísio veem Alckmin hoje como a maior ameaça à candidatura do ministro, mas que sua recente aproximação do PT, com a possibilidade de ser vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa ao Planalto, tenha aberto uma brecha no eleitorado de direita para o ministro de Bolsonaro.

No próximo dia 15, o presidente deve ir para São Paulo para participar de um evento sobre competitividade na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Tarcísio e outros colegas de Esplanada, como Paulo Guedes (Economia), devem acompanhá-lo.

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A despeito de o presidente ter se filiado ao PL na semana passada, não é certo que o ministro da Infraestrutura acompanhe-o na legenda. O cálculo de Tarcísio e do entorno do ministro e do presidente é pragmático. Isto é, é preciso ver qual o partido que garantirá a melhor estrutura para o candidato e qual assegurará o melhor arco de alianças para Bolsonaro.

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Há uma preocupação no entorno de Tarcísio de que, mesmo que o PL garanta a legenda, pode não atuar por sua eleição na prática. Em São Paulo, deputados estaduais, vereadores e prefeitos do partido estão alinhados com Garcia, ainda que reservadamente. O ministro teme entrar em uma disputa sem estrutura e é isso que tem buscado, segundo interlocutores.

Dirigentes das três siglas que dão apoio ao presidente Bolsonaro, PL, PP e Republicanos, dizem ter as portas abertas para Tarcísio. O desafio do mandatário será organizar palanques nos estados contemplando os três partidos do centrão, bloco de apoio a Bolsonaro no Congresso.








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