BRUNO RIBEIRO
FOLHAPRESS
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresentou o presidente da Alesp (Assembleia Legislativa), André do Prado (PL), como o segundo candidato ao Senado de sua chapa, fechando a composição que deve ir às urnas em outubro.
O presidente da Alesp está nesta terça-feira (5) nos Estados Unidos e, segundo Tarcísio, conversou sobre o assunto com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), obtendo o aval dele.
Até o começo do ano passado, antes de Eduardo se mudar para o exterior, era o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que teria a vaga, em um acordo feito com Tarcísio e lideranças dos partidos que o apoiam.
“[André] acertou essa pré-candidatura com o Eduardo. Está lá nos Estados Unidos neste momento. Essas conversas já vinham acontecendo. Obviamente, a decisão ia caber e isso foi combinado lá atrás com o [ex-]presidente Bolsonaro ao [ex-]presidente e ao Eduardo. O Eduardo abriu mão de sua candidatura e então essa pré-candidatura fica com o André do Prado. Vai ser oficializado por eles, mas eu já estou aqui dando essa notícia a vocês”, disse Tarcísio, em um evento, no Palácio dos Bandeirantes, para falar de obras rodoviárias.
O presidente da Alesp é o principal aliado do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no estado e, ao longo do mandato, estreitou laços com Tarcísio.
André do Prado, que tem reduto eleitoral na região do Alto Tietê, no leste da região metropolitana da capital, havia viajado aos Estados Unidos na semana passada para uma primeira conversa com o filho do ex-presidente, segundo seus aliados. Ele viajou novamente na noite desta segunda-feira (4), selando o acordo.
Entre bolsonaristas, há expectativa de que o próprio Eduardo figure como suplente de senador na candidatura de André, considerando que, formalmente, ele não está inelegível. A costura considera que, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, haveria condições de Eduardo retornar ao Brasil e assumir o mandato.
Com o nome de André fechado, a chapa com a qual Tarcísio tentará a reeleição mantém seu atual vice, Felício Ramuth (MDB), e inclui ainda o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) na outra vaga ao Senado. Derrite era secretário da Segurança Pública.
Na entrevista coletiva em que fez o anúncio, Tarcísio também criticou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), pré-candidato de oposição a Tarcísio ao governo paulista, que na semana passada apontou falhas na condução das finanças paulistas.
“Era só o que me faltava, Haddad falar de política fiscal do estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do estado de São Paulo? Eu tenho vergonha de falar um negócio desse”, disse Tarcísio.
“Vamos lá, o legado do Haddad no governo federal: sete pontos a mais de relação dívida-PIB. A maior carga tributária da história. Uma penca de pessoas endividadas. Uma quantidade enorme de empresas em recuperação judicial. A segunda maior taxa de juros real do mundo”, disse. “E esse cara realmente quer falar de fiscal? Ah, faça-me um favor, dá um tempo para mim”, disse.
Tarcísio também rebateu uma fala específica de Haddad, que na semana passada havia dito que o governador era submisso ao presidente norte-americano, Donald Trump.
“O que tem a ver o estado de São Paulo com o Trump? Faz um favor pra mim. A gente não faz política externa aqui. Ele tem que parar de falar bobagem. Não trabalhou durante três anos, agora quer ficar falando besteira. É isso. Todo dia falando uma bobagem. A gente tá aqui todo dia fazendo uma entrega”, disse.
Em nota, Haddad disse que o governo Lula “recebeu das mãos do governo Bolsonaro uma peça orçamentária fictícia com déficit primário em 2023 de R$ 63 bilhões” e que, “somando isso aos calotes nos precatórios, nos governadores e no Bolsa Família, o déficit entregue por Bolsonaro a Lula foi de mais de R$ 200 bilhões”.
O petista afirmou que a situação é muito diferente da que será encaminhada ao Congresso no Projeto de Lei Orçamentária de 2027 e que, no caso de Tarcísio, “estão destruindo as finanças do estado”. “A situação só não está pior por causa da ajuda do governo Lula ao estado e da venda de patrimônio público em certames duvidosos”, disse a nota de Haddad.
O ex-ministro da Fazenda questionou a existência de R$ 23 bilhões de caixa bruto em São Paulo no balanço de 2025 dizendo que, descontadas as obrigações contratadas e restos a pagar, haveria um saldo líquido de R$ 5,4 bilhões, “além de ter tido o pior resultado orçamentário da história de SP e no acumulado dos 3 primeiros anos ter piorado muito o resultado primário do estado”.