BRUNO RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A equipe de Tarcísio de Freitas (Republicanos) adotou uma série de medidas para acelerar a liberação de recursos para obras viárias no interior de São Paulo antes do início do período eleitoral.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, o esforço incluiu a redução de exigências do governo do estado aos municípios que vão receber os recursos e até um “call center” para que prefeitos possam acionar a gestão Tarcísio e tirar dúvidas.
“Por questões eleitorais, eu preciso fazer o primeiro pagamento de quem se interessa em fazer recapeamento e pavimentação até 30 de junho, senão eu só consigo efetuar depois da eleição. Então, velocidade é muito importante para vocês e pra gente”, disse Lima nesta terça-feira (5), em um evento no Palácio dos Bandeirantes.
O evento, que contou com a participação de Tarcísio, anunciou a liberação de R$ 2 bilhões para obras rodoviárias neste ano. Deste valor, R$ 200 milhões serão transferidos às prefeituras, por meio de convênios, liberados pela Secretaria de Governo, e outros R$ 200 milhões serão liberados às cidades por meio de linhas de crédito.
“Para facilitar a vida de vocês, nós tiramos algumas das exigências anteriores que são possíveis, já que o recurso é do estado. Não tem nada a ver com nada federal -que atualmente tudo é federal, né? Não sei de onde saiu esse trem. Mas [essa liberação] é nossa, é estadual. Então, como esse recurso é estadual, nós facilitamos muitas documentações”, disse Lima. “E a gente abriu um ‘call center’ para vocês.”
Por meio de nota, o governo afirmou que “o caráter emergencial da linha decorre da necessidade imediata de recuperação das vias públicas, impactadas pelas chuvas de verão”. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico disse que, para acelerar os processo licitatórios, o governo disponibilizou atas de registros de preços de recapeamento às prefeituras.
Já sobre o “call center” apresentado por Lima, a pasta afirmou que a iniciativa envolve “um canal adicional de atendimento dedicado exclusivamente ao esclarecimento de dúvidas operacionais e orientação técnica”. Ainda segundo o governo, “esse canal não altera critérios, prioridades ou fluxos de análise, funcionando apenas como suporte informacional”.
A citação ao governo federal feita pelo secretário foi uma crítica à propaganda feita pelo governo Lula (PT) em São Paulo, que destaca que obras públicas em andamento, que renderão visibilidade eleitoral a Tarcísio, também têm recursos federais.
O secretário de Desenvolvimento, no fim de sua fala, afirmou que, caso os prefeitos não consigam viabilizar seus convênios, também fará as parcerias, mas somente após as eleições.
No mesmo discurso, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado de Tarcísio que falou após o anúncio de Lima, deixou clara a intenção do plano do governo em adotar medidas.
Ao se dirigir a outro colega, prefeito do interior, que havia dado um depoimento dizendo que uma obra aguardada havia tempo seria viabilizada, Nunes disse: “O deputado que você apoiar lá vai ter voto para chuchu, né?”
Conforme a Folha de S. Paulo mostrou, no ano passado, Tarcísio sofreu desgastes com prefeitos do interior do estado que avaliavam que havia entraves para transferências de recursos para prefeituras executarem obras.
A insatisfação foi um dos motivos que fez o governador tirar do cargo seu secretário da Casa Civil, Arthur Lima, amigo do governador desde 1992 e considerado seu braço direito.
No lugar de Lima, Tarcísio indicou o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, para o posto. Carneiro tem bom trânsito entre os deputados estaduais e chegou com a missão de destravar as transferências de verbas para prefeituras aliadas.
Tarcísio foi eleito, em 2022, com a maioria dos prefeitos do interior do estado apoiando a reeleição do então governador Rodrigo Garcia (Republicanos), na época no PSDB, e avaliava, de acordo com aliados próximos, que o atendimento das demandas dos políticos locais não era prioridade.
Conforme o período eleitoral se aproximou, contudo, ele cedeu aos pedidos de mudança de posição, vindos especialmente da base governista da Assembleia Legislativa.
Questionada pela reportagem sobre possível caráter eleitoral das iniciativas anunciadas nesta terça, a gestão Tarcísio afirmou que os repasses de créditos às cidades, feitos pela agência Desenvolve SP, operam seguindo “critérios técnicos, impessoais e transparentes, em conformidade com a legislação, e que suas linhas de crédito estão disponíveis de forma isonômica aos 645 municípios e aos micro, pequenos e médios empreendedores do estado”.