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Servidores da Funarte chamam Silveira de ‘defensor do autoritarismo’ e repudiam entrega de medalha

A homenagem é historicamente concedida a acadêmicos, autoridades e intelectuais que contribuem para o universo da literatura

Por FolhaPress 01/07/2022 9h21
O deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) – Eduardo Knapp – 2.mai.2022/Folhapress

Mônica Bergamo
São Paulo, SP

A Associação dos Servidores da Funarte (Asserte) publicou, nesta sexta-feira (1º), uma nota em repúdio à entrega da medalha da Ordem do Mérito do Livro, da Biblioteca Nacional, ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ).

“Não temos conhecimento de nenhuma contribuição do deputado Daniel Silveira para a cultura letrada ou a promoção do livro, sendo, ao contrário, um defensor das armas e do autoritarismo”, afirma o texto.

A homenagem é historicamente concedida a acadêmicos, autoridades e intelectuais que contribuem para o universo da literatura. Entre eles estão os escritores Gilberto Freyre e Carlos Drummond de Andrade.

A carta ainda cita outros intelectuais indicados pela Biblioteca Nacional que disseram ter recusado a homenagem, como o escritor Marco Lucchesi e o professor emérito da UFRJ Antonio Carlos Secchin.

Daniel Silveira foi condenado, em abril deste ano, pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 8 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, por ataques aos ministros da corte. Um dia depois, no entanto, recebeu um indulto do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“É uma honraria muito grande porque é em homenagem aos 200 anos da É uma coisa que vale muito a pena”, disse Silveira à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo na quinta-feira (30). “Para mim é muito honroso ter o reconhecimento de lá”, afirmou sobre o prêmio da Biblioteca Nacional.

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Neste ano, a medalha será entregue a 200 personalidades por ocasião do Bicentenário da Independência. Procurada, a Biblioteca Nacional não compartilhou a lista com todos os homenageados, mas disse que os nomes foram escolhidos pelo presidente da instituição, Luiz Carlos Ramiro Júnior, e pelo secretário Especial da Cultura, Hélio Ferraz de Oliveira.

Criada há 212 anos, a Biblioteca Nacional é a mais antiga instituição cultural brasileira. O cientista social Luiz Carlos Ramiro Júnior assumiu a presidência em março, um mês após a saída do monarquista Rafael Nogueira, que foi para a Secretaria Especial da Cultura.

Leia, a seguir, a íntegra da nota:

“A Associação dos Servidores da Funarte repudia a concessão pela Biblioteca Nacional da medalha da Ordem do Mérito do Livro ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ).
A medalha da Ordem do Mérito do Livro foi criada para reconhecer personalidades que contribuem com a literatura e a cultura nacional, já tendo sido concedida a diversos membros da Academia Brasileira de Letras, escritores e intelectuais como o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade e o sociólogo e escritor pernambucano Gilberto Freyre.
Não temos conhecimento de nenhuma contribuição do deputado Daniel Silveira para a cultura letrada ou a promoção do livro, sendo, ao contrário, um defensor das armas e do autoritarismo.
Em 2022, por conta do Bicentenário da Independência, a medalha será entregue pela Biblioteca Nacional para 200 personalidades. Dois imortais da ABL já recusaram a medalha: o escritor, poeta e tradutor Marco Lucchesi e o professor emérito da UFRJ Antonio Carlos Secchin. O motivo da recusa é a entrega da medalha ao deputado.”

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