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Senador pede convocação de Onyx Lorenzoni à CPI da Pandemia

Onyx deu declaração em tom de ameaça contra Luis Miranda após o deputado explanar que tentou avisar Bolsonaro sobre irregularidades na compra da Covaxi

Por Willian Matos 24/06/2021 8h30
Foto: Marcos Corrêa/PR

O senador Humberto Costa (PT-PE) protocolou, na quarta-feira (24), um requerimento pedindo a convocação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, à CPI da Pandemia. Onyx prestaria depoimento como testemunha.

O secretário-geral se envolveu na polêmica negociação entre o governo federal e a Precisa Medicamentos para a compra da vacina contra a covid-19 Covaxin. O caso veio à tona após o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) tornar público que seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor do Ministério, teria sofrido pressão para fechar o negócio, mesmo por um valor exorbitante — mais de 80 reais a dose. Luis Miranda explicou ainda que, no dia 20 de março, tentou avisar o presidente Jair Bolsonaro que o Executivo estaria adquirindo o imunizante por um preço muito acima do normal.

Após o caso ser amplamente noticiado, Onyx Lorenzoni disse que o governo federal vai investigar Luis Miranda pelo fato de ele ter denunciado as possíveis irregularidades. Em entrevista, Onyx acusou Luis e o irmão de produzir uma narrativa falsa contra Bolsonaro e deu declarações em tom de ameaça:

“Deus tá vendo. Mas o senhor não vai se entender só com Deus não, vai se entender com a gente também”, disse Onyx. Desta forma, Humberto Costa quer que o secretário-geral preste depoimento para explicar não só a nebulosa negociação do governo federal com a Precisa Medicamentos, mas também as falas voltadas a Miranda. “As declarações do Ministro Onyx Lorenzoni possuem evidente caráter intimidatório. Caso as graves denúncias do Servidor se confirmem, as declarações do Ministro podem ser enquadradas como tentativas de obstrução à Justiça”, afirmou Costa.

Como ressalta Humberto Costa no requerimento, o governo federal comprou a vacina da Covaxin por um valor 1000% mais caro que o definido pela fabricante Bharat Biotech. Também chama a atenção o fato de o Executivo ter negociado diretamente com representantes da Precisa no Brasil e não com a Bharat. Com as vacinas Pfizer, Coronavac e AstraZeneca, por exemplo, a negociação ocorreu com os laboratórios fabricantes, que ficam no exterior.

Veja o requerimento:

DOC-REQ 9432021 – CPIPANDEMIA-20210623 by Jornal de Brasília on Scribd

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A CPI da Pandemia ouvirá Luis Miranda e o irmão nesta sexta-feira (24). O deputado promete mostrar provas de que a negociação foi irregular e que tentou avisar os membros do alto escalão do governo.






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