O senador Eduardo Girão (NOVO-CE) fez um pronunciamento no Plenário do Senado nesta terça-feira (14) para criticar alterações na composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. De acordo com o parlamentar, as substituições de membros que participaram dos trabalhos ao longo da comissão, realizadas às vésperas da votação do relatório final, comprometem a credibilidade do processo e podem interferir nas investigações, especialmente em pedidos de indiciamento de autoridades.
“Mudar os participantes na última hora, para blindar gente poderosa, fica feio”, afirmou Girão.
Além disso, o senador questionou a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) em relação a denúncias envolvendo o caso do Banco Master e possíveis conexões com autoridades. Ele argumentou que há indícios suficientes para a abertura de investigações, criticando a declaração do procurador-geral Paulo Gonet de que não haveria elementos concretos para agir. Para Girão, essa postura compromete o papel institucional do órgão em zelar pela legalidade e pela responsabilização de ilícitos.
“Isso é muito grave, porque não se está falando ainda de provas materiais e testemunhais; a questão central é que basta a existência de indícios para que se inicie uma investigação”, disse.
Girão citou episódios como contratos, viagens e relações entre investigados e autoridades que, segundo ele, deveriam ser apurados. Ele também mencionou a recusa da PGR em avançar em acordos de colaboração premiada, afirmando que decisões assim dificultam as investigações e enfraquecem o combate à corrupção.
“São atitudes assim que não ajudam em nada o combate à corrupção, favorecendo a impunidade”, concluiu o senador.
Com informações da Agência Senado