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Política & Poder

Senado adia votação sobre entrada da Venezuela no Mercosul

Arquivo Geral

10/11/2009 0h00

O Senado decidiu hoje adiar a votação sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, prevista para amanhã, devido ao “clima” criado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao advertir sobre uma possível “guerra” com a Colômbia.

Fontes oficiais disseram à Agência Efe que a votação no plenário do Senado, o último passo para a aprovação definitiva do protocolo de adesão da Venezuela ao bloco aconteceria, a princípio, na próxima semana.

As declarações de Chávez em seu programa “Alô Presidente” de domingo, quando chamou os militares e a população a “se preparar para a guerra”, foram mal recebidas entre os senadores brasileiros, que debatiam a partir da segunda-feira o possível adiamento da votação.

O senador Gim Argello (PTB-DF), vice-líder da bancada governista no Senado e que defende a entrada da Venezuela no Mercosul, tinha declarado ontem que, “sem dúvidas”, as declarações de Chávez eram “um fator que pode complicar muito a votação”.

A mesma opinião foi expressada pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES), que considerou que a Câmara Alta deveria “estudar muito bem” a situação colocada pelas declarações de Chávez.

“Criou-se um problema” inclusive para os que defendem a entrada da Venezuela no bloco, disse Casagrande, também disposto a votar a favor da expansão do Mercosul.

Segundo o senador José Agripino Maia (DEM-RN), que é contra aceitar a Venezuela no bloco regional, “Chávez e seu discurso beligerante jogaram por terra qualquer perspectiva de acordo esta semana”.

O líder da bancada governista no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu que será necessário “deixar que as coisas se acalmem um pouco”, antes de submeter o protocolo de adesão da Venezuela ao plenário do Senado.

No entanto, disse que tentará fazer com que o assunto seja incluído na pauta da próxima semana.

Essa possibilidade, segundo Maia, dependerá de como evoluirá a crise política entre Bogotá e Caracas, que explodiu após a decisão da Colômbia de permitir que os Estados Unidos utilizem até sete bases militares em seu território, dentro de programas de cooperação no combate às drogas e às guerrilhas.

“Será preciso acompanhar de perto essa situação e, em função do que disser o presidente Chávez e de como continuar a crise, a oposição decidirá se aceita votar ou se simplesmente obstrui a pauta até que ache conveniente”, disse Maia.

O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul foi aprovado há 15 dias pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e, no Brasil, só depende dessa última votação em plenário.

Os Congressos da Argentina e do Uruguai já referendaram a entrada e, caso que seja aprovada no Brasil, só restará o trâmite no Parlamento paraguaio, de onde o Governo do presidente Fernando Lugo retirou o projeto temporariamente em meados deste ano, pois não havia um clima favorável à aprovação.

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