Depoimento de cinco horas do ex-senador Joaquim Domingos Roriz (PMDB), salve outro ainda em curso do empresário Nenê Constantino e a ameaça de agressão ao fotógrafo da Folha Imagem, Alan Marques. Assim terminou o dia na Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), da Polícia Civil do Distrito Federal.
Roriz e Nenê depuseram como parte das investigações da Operação Aquarela, deflagrada em junho deste ano – ação que resultou na renúncia de Roriz ao mandato de senador, em 4 de julho.
Nenê Constantino, que ainda presta os esclarecimentos à Polícia, chegou à delegacia por volta das 15 horas e foi agressivo com a imprensa desde o momento em que desceu do carro. Ao ver os fotógrafos por perto, primeiro deu um tapa na câmera de Alan Marques. Em seguida, ameaçou jogar uma pedra, mas foi impedido por seu advogado, Hermano Camargo. Depois, entrou na delegacia empurrando os jornalistas que o aguardavam para que falasse.
Mais tarde, o advogado de Nenê disse que o empresário “não estava nervoso” e já havia pedido desculpas ao fotógrafo. Ele afirmou, ainda, que o depoimento do seu cliente era apenas como testemunha, e que sobre ele não pesava qualquer acusação.
O depoimento de Roriz começou às 13 horas. Antes, ele disse que estava na delegacia para “resolver assuntos particulares, pois o dinheiro que tinha movimentado era um negócio privado e não tinha a ver com a coisa pública – e se não é público, não é crime”.
Gravações telefônicas com autorização da Justiça flagraram o ex-senador e o presidente do BRB, Tarcísio Franklin de Moura, negociando a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões, recebido por Roriz. A divisão seria feita no escritório de Nenê Constantino. Segundo Roriz, o dinheiro era destinado à compra de uma bezerra e a prestar auxílio financeiro a um parente. Por isso, teria usado apenas R$ 300 mil do total do cheque.
Após cinco horas de depoimento, Roriz reafirmou que se tratava de uma operação que não envolvia o bem público. Fez acusações: “Convivi com pessoas lá dentro do Senado que estavam montando um complô contra mim, para minimizar a crise que estava acontecendo”. E disse estar “tranquilíssimo, tanto que abri mão do meu foro privilegiado para vir aqui para a planície, para o homem comum, para defender minha honra aqui nesta cidade”.
Até o dia 1º de novembro a Polícia Civil pretende ouvir 11 pessoas. O depoimento de Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB, está previsto para terça-feira.