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Política & Poder

Roriz pode ficar inelegível até 2018

Arquivo Geral

16/04/2010 8h40

Uma bezerra pode deixar o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), líder das pesquisas para o governo do DF nas eleições de outubro, inelegível até 2018 por usar influência política para sacar R$ 2,2 milhões sem ser rastreado. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Distrito Federal e é um desdobramento da operação Aquarela, em que a Polícia Civil do DF investigou um suposto esquema de desvio de dinheiro do Banco Regional de Brasília. Na ação, a Promotoria quer que Roriz perca qualquer cargo público que tiver, caso ele já tenha sido eleito na data da sentença.
Na denúncia oferecida pelo Ministério Público, Roriz é acusado de mandar que aliados nomeados por ele no Banco de Brasília infringissem as regras contra a lavagem de dinheiro para sacar um cheque de R$ 2,2 milhões sem informar o Banco Central. O Ministério Público pede também que Roriz banque o prejuízo de R$ 223 mil que o BRB sofreu com a transação, e pague o dobro como multa, totalizando R$ 669 mil.
Ato de improbidade
“A conduta de Roriz, beneficiado pelo ato de improbidade, foi a causa decisiva e determinante que induziu Tarcísio Franklin (presidente do banco) a autorizar o desconto do cheque. Desse modo, não fosse a sua conduta, induzindo Tarcísio à prática do ato, este não ocorreria”, diz a denúncia. Após a operação Aquarela, em 2007, Roriz renunciou à vaga no Senado e alegou que recebeu cerca de R$ 270 mil do montante, como empréstimo para comprar uma bezerra. A Justiça quebrou o sigilo bancário de Roriz e o Ministério Público ainda investiga o motivo para a partilha dos R$ 2 milhões.
Em nota, Joaquim Roriz diz que a transação foi legal e que ele usou apenas uma parte dos R$ 2,2 milhões – o resto teria sido devolvido a Nenê Constantino. Roriz afirma que usou o dinheiro para comprar uma bezerra de R$ 270 mil. “Qualquer outra ilação, qualquer outro entendimento ou juízo de valor se refere a interpretações equivocadas, algumas delas de absoluta má fé”, diz Roriz.
Levou em conta
Porém, em depoimento à Polícia Civil, o ex-presidente do banco admitiu que “levou em conta o pedido de Roriz” para autorizar a transação. O cheque era nominado ao empresário Nenê Constantino, pai do presidente da Gol. Em depoimento, Constantino disse que Roriz garantiu que o Banco de Brasília não iria descontar a CPMF, uma das maneiras que o Governo Federal tinha para rastrear transações suspeitas.
O advogado de Tarcísio Franklin, ex-presidente do BRB, disse que não houve irregularidade no saque. Segundo o advogado Bruno Rodrigues, o ex-presidente do BRB sabia que o empresário Nenê Constantino era uma pessoa idônea e com fundos para bancar o saque de R$ 2,2 milhões. “Tarcísio Franklin não vislumbrou qualquer prejuízo aos cofres públicos com a transação”, disse o advogado. O advogado do empresário Nenê Constantino não retornou a ligação.
De acordo com o Ministério Público, o desconto do cheque “significava burlar diversas normas que regulam o sistema financeiro e o combate à lavagem de dinheiro”.

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